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Em entrevista ao site do Festival do Rio, Jorge Viroga, diretor da
Escola de Cinema para crianças e jovens Orson The Kid, na Espanha, fala
sobre o funcionamento da escola, e também sobre a produção do filme O
Sinaleiro, realizado por seus alunos.
Idealizada por Viroga, a Orson The Kid foi fundada em 2000. O diretor
conta que a idéia de se criar uma escola de cinema para crianças e jovens
surgiu do fato de que ele nunca havia visto um filme realizado por jovens.
“Percebi que na Espanha havia muitas escolas de cinema, muita atividade
cinematográfica, mas não havia nada voltado para os jovens. Acredito ser
muito necessário que os jovens estudem não só como ver cinema, mas também
as ferramentas e as etapas de produção”, explica.
Para o diretor, trabalhar com jovens é muito estimulante. Segundo ele,
além da facilidade de aprendizado, eles são bastante criativos, ainda que
os mais velhos já não se permitam arriscar tanto. “São jovens de 8 a 18
anos, que assimilam muito facilmente a tecnologia, pois ela já faz parte
do mundo deles. A maior diferença está entre as crianças de 8 a 13 anos e
os jovens de 14 a 18, já que os menores têm mais fantasias, enquanto os
mais velhos já têm mais medo, mais tabus”, conta. Ele ainda complementa:
“O legal de trabalhar com jovens é que eles são muito honestos e muito
entusiasmados. Quando não gostam de alguma coisa, dizem que não gostam e
pronto”.
As atividades na escola são intensas. Ao todo os alunos têm que cursar 12
matérias, desde o roteiro, passando pela direção, filmagem, figurino,
edição e até a música. As aulas acontecem aos fins de semana, mas a carga
horária das aulas e a dedicação dos alunos aumentam à medida que avançam
no curso. Viroga explica que os cursos são realizados por projeto,
resultando sempre em uma produção audiovisual – geralmente
curta-mestragens. Cada etapa da produção corresponde a uma matéria,
ministrada por um professor cuja principal função é orientar os alunos na
hora da criação. “Os professores funcionam como provocadores, que
estimulam os alunos a buscarem novas idéias por trás das idéias iniciais”,
explica o diretor.
O Sinaleiro é uma espécie de “projeto de conclusão de curso” de 44 alunos
da Escola Orson The Kid, em uma decisão ousada de se realizar um
longa-metragem em vez dos habituais curtas. Orientados pelos professores,
os jovens foram responsáveis pelo roteiro, direção, figurino, maquiagem e
até edição do filme. Viroga revela que a única função não realizada pelos
alunos foi a direção de fotografia, que segundo o diretor é de extrema
complexidade para se ensinar em pouco tempo.
Viroga conta ainda que o filme foi realizado com um orçamento de U$ 500
mil, o que o diretor classifica como uma produção de baixo orçamento,
especialmente para os padrões do cinema europeu. “Mas que ainda assim é
muito dinheiro para a nossa escola”, ressalva.
No total, a produção levou cerca de um ano e meio para ficar pronta. A
pré-produção durou um ano, em uma preparação que Viroga define como
“exaustiva”, da qual participaram todos os 44 alunos envolvidos e todos os
professores. “Tínhamos que deixar tudo pronto para as gravações, que
tinham que ser realizadas em apenas cinco semanas”, explica o diretor. A
maior dificuldade, no entanto, foi a finalização. “A pós-produção demorou
seis meses já que, para trabalharmos com equipamentos de 35mm, dependíamos
de empresas profissionais, que, devido ao baixo orçamento que tínhamos,
nos cediam seus espaços somente em horários muito restritos”, conta.
O filme estreou no Festival de San Sebastian, em 2005, no qual recebeu o
prêmio de qualidade técnica. De lá para cá, já foi exibido em muitos
outros festivais, e inclusive em uma sala comercial de Madrid, onde ficou
em cartaz por 20 dias. Viroga conta que a repercussão do filme até o
momento tem sido muito boa. Ele explica que as exibições são sempre
seguidas de debate, no qual está presente pelo menos um dos alunos que
participaram da produção.
Segundo Viroga, o próximo passo é o lançamento do filme no circuito
comercial espanhol, o que deve acontecer já em novembro de 2006.
Consciente da dificuldade que é competir com a publicidade dos filmes
americanos e das grandes produções espanholas, o diretor afirma que não
está preocupado em atingir um grande público. “Isso não importa para nós,
já que nosso maior objetivo é atingir os jovens e estudantes de diversas
instituições, de toda a Espanha, sempre promovendo debates, como já vem
sendo realizado nos vários festivais dos quais participamos. E ainda temos
um ano e meio de exibição do filme para trabalharmos isso”, afirma o
diretor, que já tem planos para a realização de um novo projeto com mais
50 alunos da Orson The Kid.
Luana Rocha
Assessoria de Comunicação
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Felicia e Jorge Viroga

Público de O Sinaleiro

Apresentando o filme

Mayara filma o convidado

Bate-papo com Viroga

Jorge Viroga

Felicia e Viroga
Fotos: Dominique Valansi |