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O Laboratório Estação oferece cursos, oficinas e eventos em que a prática e a teoria se integram com inteligência e criatividade. Diretores de cinema e teatro, escritores e roteiristas, produtores, documentaristas, críticos e atores em contato com o público para fazer e pensar arte e cultura.

Jazz e Cinema, Cinema e Jazz

com Ricardo Soneto



Detalhamento


Música e cinema sempre estiveram relacionados. Mesmo os filmes mudos ganhavam mais intensidade e drama com a presença de um pianista ao lado da tela. Jazz & Cinema - Cinema & Jazz pretende ir além dos aspectos evidentes dessa relação e apresentar uma perspectiva inédita sobre o convívio direto de duas artes que só poderiam ter sido criadas no século XX. Sim, porque ambas dependiam de tecnologia (projetores, fonógrafos etc), tiveram um desenvolvimento intenso e, eis o aspecto pouco abordado, se comunicaram de modo curioso. Máquinas de soundies; filmes de cinescópios; shows registrados em novas formas; cine-biografias; influência no amadurecimento das trilhas sonoras; documentários explorando vários estilos e figuras de destaque do gênero.

Em 1989 os jornalistas franceses Arnaud & Chesnel escreveram: "Nascidos ao mesmo tempo - a ponto de se poder falar de 'sétima e oitava artes' -, o cinema e o jazz deram uma cadência ao século XX, cada qual pelo seu lado, sem se preocupar demasiado um com o outro. Mas os seus encontros, geralmente devidos ao acaso ou à necessidade, renderam uma beleza difícil de ser ignorada. É por um duplo paradoxo que essa relação se inicia: o primeiro filme sonoro é The Jazz Singer, comédia musical do obscuro Alan Crosland. Contudo não se trata, na realidade, de jazz (e sim vaundeville) e o herói - o cantor popular Al Jolson - é um 'falso negro', como o provam as latas de graxa da época. Três anos depois sai The King of Jazz, cujo herói não é evidentemente Louis Armstrong - a quem cabe o papel de canibal perseguindo Betty Boop nos desenhos animados (alias hilariantes) dos irmãos Fleischer -, e sim o pálido Paul Whiteman. Será preciso esperar pelo belíssimo Hallelujah (1931) de King Vidor, primeiro filme falado de alto nível, para que a música afro-americana (ou seja, blues, honky-tonk e sobretudo, gospel, com uma soberba partitura de Irving Berlin) seja tratada com respeito, apesar das personagens encarnarem clichês bastante pesados. Mas, a partir daí, o jazz torna-se indispensável dos dois lados da câmera desde que se trate de ilustrar um fragmento da vida noturna americana. Intervirá de forma bem distinta, à frente ou atrás da câmera."

O curso JAZZ & CINEMA - CINEMA & JAZZ, pretende explorar todos os aspectos desses encontros.

- A primeira aula observará a produção de filmes para as máquinas de soundies;
- A segunda exibirá os "cinescópios", responsáveis por alguns dos melhores registros da história do gênero;
- A terceira mostrará formatos diversos, como cartoons, por exemplo;
- A quarta aula discutirá as cine-biografias;
- A quinta será dedicada as trilhas sonoras jazzísticas (com algumas surpresas);
- A sexta analisará os documentários
- E, finalmente, a sétima aula, que pretende encerrar o curso a partir das dúvidas e questões levantadas pelos próprios alunos.

Enfim, Jazz & Cinema - Cinema & Jazz pretende ensinar uma forma original de apreciar o jazz, através de imagens, e também possibilitar uma reflexão única sobre o poder do cinema para a preservação e invenção. Um curso para olhos e ouvidos atentos.

-- Ricardo Soneto

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