O mito de que o carnaval no Rio de Janeiro só acontece no Sambódromo ou nos grandes bailes já caiu por terra. Os blocos de rua estão, a cada ano, conquistando mais foliões e trazendo de volta o espírito dos antigos carnavais, com suas marchinhas e brincadeiras.
Neste clima, o Miscelânea Odeon, o pré-carnaval mais animado (e multimídia) da cidade, já entrou para o calendário oficial da folia. Há quatro anos, o evento ganha mais e mais freqüentadores que já sabem qual é o melhor lugar para se começar a festejar. Alternando suas atrações entre a Praça da Cinelândia e o Cine Odeon, o Miscelânea consegue somar na mesma noite, samba com cinema, poesia com performance, batucada com fantasias, fazendo um carnaval "como nos tempos do onça".
Se a edição do ano passado já estava cheia, a de 2004 superou as expectativas de público e de animação. A festa começou às sete da noite com o mestre de cerimônias Chacal (devidamente fantasiado com uma longa peruca vermelha e camisa colorida) apresentando o tradicional Cordão do Bola Preta. Enquanto a turma mais animada requebrava do lado de fora, no foyer do cinema eram confeccionadas fantasias para quem quisesse entrar ainda mais no clima festivo da noite.
O samba continuou numa quentíssima roda de samba no café do cinema, com o Grupo Folha Seca e seguiu para dento do cinema, onde Chacal apresentou um filme antigo sobre o carnaval. Detalhe engraçado: algumas pessoas reclavam que a projeção estava sem som, até o mestre de cerimônias intervir, explicando que aquele filme era da época do cinema mudo!
Problema resolvido e gargalhadas arrancadas, o evento seguiu para a apresentação das belas e superafinadas melindrosas do Gigantes da Lira, que também se apresentaram com seus músicos, palhaços e bonecos. Foi um momento lúdico da noite, com muitas brincadeiras, risadas, narizes vermelhos, sapatos enormes e bolinhas de sabão. Então, o público ficou mais uma vez "no escurinho do cinema" para conferir o clássico de 1976, Partido Alto, de Leon Hirszman. Nele, o sambista da Portela Candeia dá uma aula sobre o assunto, junto com depoimentos de outros sambistas da nova e da Velha Guarda. A narração ficou a cargo de Paulinho da Viola, dando mais charme ainda ao filme.
Antes de tocar na praça com toda a sua potente percussão, o músico do Bangalafumenga Rodrigo Maranhão acompanhado de sua banda fez um "pocket show" com sambinhas animados, antes de arrastar o público todo para o lado de fora. Com o sucesso de Roberto Carlos "Eles estão todos surdos" em uma versão bem funkeada, os "laranjinhas" do Bangalafumenga ferveram a Cinelândia. E pra fechar a tampa com mais pressão ainda, o Cordão do Bola Preta deu bis e animou os foliões até uma e meia da manhã em um grande baile ao ar livre.
Quem já conhece sabe a delícia que é chegar na Cinelândia e encontrar carnaval em plena praça e carnaval de rua dentro do cinema. Quem não conhecia não vai mais perder! Afinal, em 2005 tem mais carnaval de rua e de cinema no Odeon!
(Dominique Valansi)
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