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Correndo para a Maratona

A cada edição a Maratona Odeon fica mais concorrida e com mais participantes cruzando a linha de chegada na manhã do dia seguinte, depois de uma noite regada a filmes, pipoca, música, social e bate-papo. A sétima Maratona aconteceu no dia 28 de março e os cinéfilos cariocas mais uma vez bateram ponto no Cine Odeon BR, com direito a uma rápida fila para aqueles que chegaram em cima da hora.

A pré-estréia da noite foi Embriagado de Amor (Punch-Drunk Love), quarto filme de Paul Thomas Andreson (mesmo diretor dos polêmicos Boogie Nights e Magnólia).

O protagonista, vivido por Adam Sandler (que pelo papel foi indicado ao prêmio de Melhor Ator no Globo de Ouro 2003), é Barry Egan, um pequeno empresário problemático (sofre alguns ataques de descontrole) que teve uma infância difícil, ao lado de sete irmãs mandonas que não perdiam a chance de encarnar no rapaz.

Ele tem completo pânico de amar até conhecer a sensível Lena Leonard (Emily Watson), por quem acaba se apaixonando. Para ficar ao lado de sua amada Barry precisará vencer seus medos, escapar de suas irmãs, enfrentar uma quadrilha de mafiosos ligados a uma rede de sexo por telefone e ainda viajar para o Havaí.

A primeira exibição da noite foi muito aplaudida e a platéia pôde conferir na saída da sessão o som do DJ Zé Otávio, que além de colocar muita gente pra dançar ainda tocou jingles antigos como o do refrigerante Grapete.  

O segundo longa-metragem da noite, o filme surpresa foi Cotton Club (1984), Francis Ford Coppola. Durante a fase de ouro da casa noturna que dá nome ao filme, o músico Dixie Dwyer (Richard Gere) se envolve com Vera Cicero (Diane Lane), a amante do gangster Arthur "Dutch Schultz" Flegenheimer (James Remar), em plena Lei Seca. É uma época em que os gangsters irlandeses e judeus lutam contra os italianos, sendo que diversas brigas deles foram públicas e tiveram o Cotton Club como cenário.

A reconstituição deste período, em que a música negra atingiu seu esplendor em Nova York foi minuciosa. A trilha sonora contém pérolas das grandes bandas como a de Duke Ellington e Cab Calloway.

Mais uma pausa com música ao som do DJ Zé Otávio e os cinéfilos se prepararam para a última (e mais trash!) sessão da Maratona: a hora do terrir. Em Sumatra, pesquisador rouba um raro macaco-rato, apesar dos avisos dos habitantes de que tirar o animalzinho do local traria problemas. É claro que ele não escuta e em algumas semanas o bichinho já está em exposição em um zoológico da Nova Zelândia.

Lá vive Lionel, um rapaz dominado pela mãe, que se anima quando faz amizade com a jovem Paquita (Diana Peñalver). Os dois marcam um encontro no zoológico, mas a mãe o segue e acaba sendo mordida pelo macaco selvagem. Ela vira um zumbi, que, como conta o título do filme, tem uma Fome Animal (Braindead), de Peter Jackson, em uma produção que se distancia em muito da sua trilogia atual de O Senhor dos Anéis.

O público foi ao delírio com o exército de mortos-vivos que se forma, e as cenas escatológicas, que extrapolam os limites do bom gosto. O destaque ficou para a cena em que Lionel é perseguido por um intestino grosso animado, em seguida matando a todos com um cortador de grama. Impagável!  

E como nossos maratonistas tem estômagos fortíssimos, nada disso abalou a fome animal pelo bolo com café que fechou a noite e começou a manhã dando um pique para todos voltarem para casa! A próxima Maratona Odeon acontece na sexta-feira, dia 25 de maio. Não percam!

(Dominique Valansi)