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Cachaça 100% Negro
Em sua décima quarta edição, realizada na noite de
quarta-feira (19/05), o Cachaça Cinema Clube celebrou a cultura
negra, exibindo vários curtas-metragens sobre o movimento. O ator e
diretor Zózimo Bulbul, umas das mais importantes figuras para a articulação da
questão do negro no cinema foi o homenageado da noite. Sempre
preocupado com a afirmação dessa cultura como forma de entender o
presente de desigualdades, Zózimo Bulbul criou uma obra como diretor que
foi reconhecida no mundo todo. Por motivos de saúde ele não pôde
comparecer ao Cachaça, sendo representado por Biza Viana e seu sobrinho
Vantinho Pereira Júnior.
Abrindo a sessão, foi exibido o documentário sobre
a música reggae carioca O Bonde do Rastafári (1997), de Cyhthia
Sims. Nele, as origens e seus desdobramentos do estilo musical originário
da Jamaica, vão aparecendo na exposição dos seus integrantes que falam
da cultura rastafari, da situação de desigualdade racial, e da
conscientização através do reggae.
O paulista Francisco César Filho veio ao Rio de Janeiro apresentar Hip
Hop SP (1990), ganhador dos prêmios para montagem, som e melhor filme
para a juventude no Festival de Brasília. O curta é um mergulho no mundo
do movimento hip-hop de São Paulo quando este ainda estava no início de
sua articulação e mostra figuras que ajudaram a transformar esse
movimento em um dos mais ativos e importantes no âmbito cultural das
periferias brasileiras. O MC Thaíde e DJ Hum aparecem em apresentação
de seu primeiro disco.
Em seguida, foi exibido Maracatu, Maracatus
(1995), de Marcelo Gomes, que acabou de filmar seu primeiro
longa-metragem. O documentário fala sobre as diferenças culturais entre
as várias gerações de integrantes do maracatu rural, ritual afro-indígena
que têm suas origens nos engenhos de açúcar de Pernambuco. No Festival
de Brasília de 1995, o curta-metragem ganhou os prêmios de melhor ator,
melhor som direto e melhor curta 35mm.
O quarto filme da noite foi Carolina de
Jeferson De, que está se dedicando à pré-produção de um
longa-metragem e não pôde acompanhar a exibição de seu curta. Ganhador
dos prêmios de melhor fotografia e melhor filme no festival de Gramado em
2003, além do prêmio da crítica, o documentário conta a vida de
Carolina Maria de Jesus, pobre, negra, semi-analfabeta, se tornou um fenômeno
literário nos anos 60 com a publicação de seus escritos sobre a vida na
favela no livro Quarto de Despejo. O reconhecimento dos seus
trabalhos não impediu que ela morresse esquecida e ainda pobre.
Homenageado da noite, o curta-metragem de Zózimo
Bulbul, Alma no Olho (1976) fala sobre a busca da liberdade e a
situação da escravidão. É um filme simples, mas de grande significado
sobre questão racial no Brasil, que, a partir de uma linguagem cinematográfica
de inspiração construtivista coloca em evidência a busca da liberdade e
a situação histórica do negro e suas conseqüências.
Após a sessão, foram servidas muitas doses de Cachaça
Magnífica e o público dançou ao som do DJ Marco Dreer no segundo andar
do cinema. O Cachaça Cinema Clube tem apoio do Cinema Odeon BR,
Universidade Federal Fluminense, Cavídeo, Instituto Goethe e Cachaça
Magnífica.
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