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Um ano de Cachaça
Cinema Clube!
Há um ano, o Odeon BR
se transforma uma vez por mês em um templo dos curtas-metragens. Reunindo
filmes inéditos e raros em 16mm e 35mm, o Cachaça Cinema Clube
mostra o trabalho da nova safra de cineastas brasileiros e também exibe
obras raras homenageando grandes diretores, muitas vezes mais conhecidos
por seus trabalhos no formato de longa-metragem.
O
público que se formou nesse primeiro ano de existência é o mais eclético
possível: cinéfilos, estudantes, diretores, fotógrafos e curiosos de
todas as idades que encaram qualquer fila para participar do evento, que,
além de lotado, sempre termina em festa. Patrocinado pela Cachaça Magnífica,
sempre depois das sessões são oferecidas doses da bebida enquanto o DJ
Marco Dreyer coloca todos para dançar.
A
edição de aniversário, que aconteceu na quarta-feira, dia 13 de agosto,
comemorou um ano de exibição com cinco curtas de diretores consagrados e
uma grande festa no Bola Preta comandada pelo DJ oficial das festas do
Cachaça.
A sessão começou com o cinema inteiro puxando um animado “Parabéns
pra você”. Quem subiu ao palco apresentar seu filme P.S. Te Amo
foi o diretor Sérgio Rezende (Guerra de Canudos, Quase Nada,
Mauá, o Imperador e o Rei). “Este curta foi um dos meus
primeiros goles na cachaça do cinema. Na equipe era de apenas duas
pessoas: eu e o José Joffily. E foi um bom gole pois deu vontade de
continuar fazendo”, contou Rezende.
Produzido
em 1977, o curta-metragem mostra uma noite de desencontros e falhas de
comunicação na vida normal de um homem normal. Perambulando, ele tenta
encontrar alguém em uma peregrinação pelos pontos boêmios mais famosos
da Zona Sul carioca.
Representando
o filme Copa Mixta (1979), de José Joffily (Dois Perdidos Numa
Noite Suja), o montador Sérgio Santos esteve presente no Odeon. O
filme mostra Copacabana documentada com todos os seus contrastes, confusões
e excentricidades. Misto de ficção e documentário com um ritmo da vida
cotidiana do bairro que retrata. Símbolo da cidade, ponto de encontro de
diferenças, em 1979 Copacabana já era o que é hoje.
O
diretor Cláudio Assis (Amarelo Manga), muito bem acompanhado do diretor
de fotografia Walter Carvalho (Janela da Alma) foi apresentar seu curta Texas
Hotel, de 1999. O filme é uma introdução ao universo simbólico do
diretor: nos ambientes deteriorados do hotel encontramos os personagens
decadentes e as situações de forte impacto realista. Em 2000 Texas Hotel
recebeu os prêmios de Melhor Fotografia no Festival de Recife e Melhor
Filme no Cine Ceará.
Outros
filmes exibidos foram Sonhos de Vida, de Carlos Reichenbach (Filme
Demência, Alma Corsária, Dois Córregos) e Barbosa,
de Jorge Furtado (Houve uma vez dois verões, O Homem que
Copiava) e Ana Luiza Azevedo, oportunidade
rara de assistir à cópia única desse curta de 1979. Segundo
curta-metragem de Reichenbach, quase que totalmente desconhecido,
Sonhos de Vida foi apresentado no
Cachaça na sua única cópia existente. Esse filme inspirou seu
longa Anjos do Arrabalde e contou com Jairo Ferreira como
co-roteirista.
Já o curta Barbosa , de 1988 é uma ficção científica. Homem de
meia-idade (Antônio Fagundes) inventa uma máquina do tempo para poder
voltar ao passado e reparar um erro que marcou sua infância. Filme que
coloca em evidência nosso futebol e nossa participação na história
desse esporte. Recebeu os prêmios de Melhor Curta de Ficção no Festival
de Havana e Melhor Montagem no Festival de Gramado.
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