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Mais uma dose!

 A décima edição Cachaça Cinema Clube aconteceu em dose dupla na quarta-feira, dia 23 de julho. Tantas pessoas foram prestigiar o evento (muito mais do que era esperado) que os organizadores decidiram, para a alegria da imensa fila formada em frente à bilheteria do Cinema Odeon BR, exibir mais uma sessão dos filmes. Assim, todo o eclético e animadíssimo público pôde conferir os quatro curtas-metragens da noite.

 A safra deste mês do Cachaça Cinema Clube estava muito especial. A exibição começou com Uma folha que cai, de Ivo Lopes Araújo, ganhador do prêmio Cachaça de Ouro para melhor filme no último Festival Brasileiro de Cinema Universitário.

 Em seguida foi a vez de O resto é silêncio, de Paulo Halm - um filme para surdos, com atores surdos e totalmente falado na língua de sinais (libras). Paulo Halm é cineasta, roteirista de importantes filmes da retomada do cinema brasileiro como Guerra de Canudos, Mauá, O Imperador e o Rei, Dois Perdidos Numa Noite Suja, Quem Matou Pixote e outros. Paulo apresentou o filme acompanhado com um intérprete para a língua de sinais e chamou ao palco os atores surdos que atuam no curta-metragem, um dos mais aplaudidos da noite.

Inédito no Brasil, o terceiro filme apresentado foi Diário do Sertão – da videoartista e poeta Laura Erber, que apresentou o filme. Ela é artista residente no LE FRESNOY, Estúdio Nacional de Arte Contemporânea da França. Em 2000, ela publicou o livro de poemas "Insones" pela editora 7Letras.

Encerrando com chave de ouro, Uma Estrela pra Ioiô,  terceiro curta-metragem de Bruno Safadi, com Mariana Ximenes, Ivan Cardoso (cineasta, diretor de O Escorpião Escarlate e O Segredo da Múmia) e Gustavo Falcão (em seu segundo papel dirigido por Bruno). Elenco, produção e diretor estavam presentes na sessão e o curta foi também muito aplaudido. O destaque ficou para a fotografia de Lula Carvalho - filho de Walter Carvalho -  recentemente premiado em Recife pela fotografia do documentário "Atrocidades Maravilhosas".

 Além das duas exibições na mesma noite, o público vai poder beber ainda mais na fonte do supernovo e criativo cinema brasileiro: quatro curtas ficam em cartaz de 25 a 31 de julho a preço popular - R$ 2,00 - no Cinema Odeon BR sempre às 13h. E mais: durante as sessões, garrafinhas da Cachaça Magnifica serão sorteadas.  O Cachaça Cinema Clube tem apoio da Cachaça Magnífica, Cinema Odeon BR, Universidade Federal Fluminense e Instituto Goethe.

SINOPSES:
 

UMA FOLHA QUE CAI, de Ivo Lopes Araújo. 16 min. 2003.
Com este primeiro filme Ivo Lopes Araújo ganhou o prêmio Cachaça Cinema Clube para melhor filme no último Festival Brasileiro de Cinema Universitário. Obra pessoal, fotografada e montada com extremo apuro técnico pelo próprio diretor, constrói uma ligação entre um homem, um menino e uma memória através de planos sobrepostos e que se repetem.

O RESTO É SILÊNCIO, de Paulo Halm. 22 min. 2003.
Um filme para surdos, com atores surdos e totalmente falado na língua de sinais (libras). O filme, realizado com recursos do 3º Concurso de Curtas Petrobrás, mostra o encontro de dois adolescentes e a mudança que ocorre em suas vidas a partir desse momento. Prêmios de Melhor Roteiro, Melhor Ator (Valdo Ribeiro da Nóbrega), Prêmio da Crítica e Prêmio Canal Brasil no Cine PE 2003.

DIÁRIO DO SERTÃO, de Laura Erber. 14 min. 2003. (Estréia).
Primeiro trabalho em cinema da diretora. Filmado no Noroeste de Minas Gerais, o filme é um diário de viagem que lança um olhar sobre o sertão mineiro atual, sua história e seu potencial onírico, seguindo os rastros das estórias de Guimarães Rosa e construindo um imaginário onde ficção e a realidade se confundem.

UMA ESTRELA PRA IOIÔ, de Bruno Safadi. 15 min. 2003 (Estréia).
Com Mariana Ximenes e Ivan Cardoso. Terceiro filme do diretor carioca que vem montando uma carreira ascendente no curta-metragem com filmes cada vez mais maduros e trabalhados. Uma Estrela pra Ioiô é uma homenagem ao cinema em forma de uma história de amor que usa e abusa dos recursos que fizeram dessa arte a mais popular e comunicativa. Utilizando técnicas antigas de filmagem com montagem moderna Bruno alcança um universo onde a verdade cinematográfica se impõe e a realidade tem muito de falsidade.