Raízes de Buarque de Holanda

Intelectual, crítico literário, historiador, professor e um verdadeiro apaixonado pelos livros, Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982) é considerado pelo crítico literário Antônio Cândido “o grande explicador do Brasil”, ao lado também de Caio Prado Júnior e Gilberto Freyre. Além de Raízes do Brasil (1936), seus outros dois livros Monções (1945) e Visão de Paraíso (1959) são considerados obras clássicas do estudo brasileiro.

Depois de ter filmado Casa Grande & Senzala para e exibição na tevê, o cineasta Nelson Pereira dos Santos volta ao cinema para apresentar um perfil do homem que tanto estudou e pensou país, a partir de sua obra mais famosa que também empresta o nome ao documentário. Em Raízes do Brasil – A Cinebiografia de Sérgio Buarque de Holanda, a história do homenageado é contada em duas partes de 70 minutos cada. 

A primeira, uma biografia amorosa sobre a figura de Sérgio, é composta por entrevistas com a viúva Maria Amélia, seus filhos, netos e dois amigos, Paulo Vanzolini e Antonio Candido. A partir das entrevistas, o filme mostra como Sérgio tinha um lado sério e erudito e outro brincalhão. O espectador é levado à intimidade do trabalho do historiador, seu escritório sagrado, sua biblioteca e a paixão pela pesquisa que o fazia ler e escrever por horas a fio. Mas é levado também ao seu mundo de diversão, em que se descobre um Sérgio muito gozador, que gostava de abrir a casa para os amigos, que levava uma vida boêmia e que era extremamente carinhoso com a família. Nelson Pereira procura destacar aspectos menos conhecidos de Sérgio, revelando como suas próprias raízes continuaram se desenvolvendo na vida de seus filhos e netos. Gravado em ambientes descontraídos, como bares, casas dos familiares e ruas do Rio, o filme mostra que a seriedade intelectual de Sérgio está ligada à alegria, à afirmação do lado brincalhão da vida. 

A segunda parte é uma cronologia arquitetada a partir de um resumo de sua obra preparado pelo próprio retratado e intitulada: Apontamentos para a Cronologia de S, A pedido de Chico Barbosa, Sérgio Buarque redigiu os fatos mais importantes de sua vida em ordem cronológica. No filme, Ana de Hollanda e Miúcha lêem os apontamentos enquanto aparecem imagens de arquivos pessoais e cenas históricas, como o carnaval no Rio de Janeiro, os anos do governo de Getúlio, o fortalecimento do Nazismo (época em que Sérgio estava na Alemanha) e a agitada vida intelectual modernista. Intercalando com a leitura dos apontamentos, Silvia Buarque lê trechos de Raízes do Brasil e Zeca Buarque, outros textos de Sérgio. 

Site da Unicamp sobre Sérgio Buarque de Holanda:
http://www.unicamp.br/siarq/sbh/

Ficha Técnica

Ano: 2003
Direção:
Nelson Pereira dos Santos
Produção executiva: 
Marcia Pereira dos Santos e Mauricio Andrade Ramos
Roteiro: Miúcha e Nelson Pereira dos Santos
Direção de fotografia:
Reynaldo Zangrandi
Edição:
Alexandre Saggese
Pesquisa:
Antonio Venancio
Idéia original:
Ana de Hollanda
Direção de produção:
Marcia Pereira dos Santos
Edição de som:
Bruno Fernandes
Assistentes de direção:
Zeca Buarque e Daniel Zarvos
Textos e entrevistas:
Tatiana Salem Levy