Dogville

Alvo de inúmeros elogios e igualmente numerosas críticas, o realizador dinamarquês Lars Von Trier apresenta mais um longa-metragem sobre o inusitado comportamento humano. Assim como Dançando no Escuro, premiado em Cannes em 2000, Dogville é uma história passada nos Estados Unidos. O curioso é que o diretor nunca colocou os pés no país, sendo que todas as filmagens ocorreram em um estúdio na Suécia. Mas, mesmo fisicamente longe da terra do “Tio Sam”, o diretor já cria polêmica e incita a ira de muitos americanos com sua visão ácida sobre sua sociedade. E ele só está começando suas críticas. Afinal, Dogville é o primeiro de uma trilogia sobre o país. Os seguintes serão Manderlay (2004) e Washington (2005).

Lars Von Trier ficou mais conhecido no mundo todo por Os Idiotas (Idioterne, 1998), produzido dentro dos moldes do manifesto do Dogma 95 (escrito por ele), que estabelece uma lista regras e proibições para que se fizesse filmes independentes livres do modo “industrial” das grandes companhias de cinema.

Dogville é uma fábula sobre as relações humanas, sobre o que envolve a sua vida em comunidade, sobre a tensão que se estabelece entre a escolha individual e a norma coletiva e sobre as motivações que determinam em cada um a noção do bem e do mal.

A história está representada numa espécie de gigantesco palco negro onde paredes, ruas e jardins estão desenhados com giz e só há uns poucos elementos indispensáveis para a ação; os atores abrem portas que não se vêm, mas ouvem-se e circulam respeitando os sinais do mapa desenhado no chão. O dispositivo remete ao teatral, assim como a estrutura dividida em nove capítulos e a voz off de um narrador vêm-lhe da componente literária.

Em plena década de 30, durante a Depressão americana, Grace (Nicole Kidman) é uma fugitiva que chega à isolada Dogville, cidade fictícia nas Montanhas Rochosas do Colorado, após fugir de gângsteres. Encorajada por Tom (Paul Bettany), o porta-voz da cidade, Grace faz com a população local um acordo informal: eles a ajudam a se esconder e, em troca, ela trabalha para eles.

Entretanto, quando a busca por Grace se intensifica, a população local começa a querer um melhor acordo com ela devido ao risco que todos eles estão correndo por escondê-la. É quando a moça percebe que a aparente boa vontade de Dogville tem um preço. Os moradores, aos poucos, começam a abusar dela, que vai se aperceber da pior forma quão relativo é o conceito de bondade em Dogville. Mas ela oculta um segredo muito perigoso que fará Dogville arrepender-se das suas exigências.

Site oficial: http://www.dogville.dk/