O Raio Verde

É verão em O Raio Verde (Le Rayon Vert), do diretor francês Eric Rohmer. Quinto da série “Comédias e Provérbios”, o filme, de 1986, foi ganhador do Leão de Ouro do Festival de Veneza no mesmo ano. Este período, tão aguardado pelos parisienses, é o das férias de julho, quando a grande maioria viaja para descansar, relaxar e principalmente se divertir.

Mas, para a entediada secretária Delphine (Marie Riviere) as férias de julho chegaram e ela não sabe o que fazer com seus dias livres. Seu namoro com Jean-Pierre terminou. recentemente. Sua companheira para uma viagem que faria para a Grécia acabou cancelando duas semanas antes da data. Sem nenhuma opção e se sentindo solitária e incompreendida, ela vai tentar encontrar suas “férias ideais” - mesmo sem saber por onde começar.

Apesar dos convites de seus parentes para acompanhá-los em um acampamento na Escócia e de suas amiga a encorajarem a viajar em uma excursão turística, ela decide, mesmo não gostando da idéia, em viajar sozinha. Mas qual será o lugar ideal?

Delphine vai primeiro a Cherbourg, com uma amiga, mas dias depois volta para Paris. Então vai para os Alpes Suíços, onde o frio e a solidão pesam, fazendo com que a moça volte de novo para Paris no mesmo dia. Finalmente ela decide ir para a badalada Biarritz, na Costa Atlântica.

É lá que ela escuta uma conversa sobre o romance O Raio Verde de Júlio Verne e a existência do tal raio, que pode ser visto no último segundo de um pôr-do-sol no mar, quando a luz do sol, antes de desaparecer, se torna verde. Segundo o escritor, para quem consegue ver o raio verde seus pensamentos mais íntimos e os das pessoas a sua volta são magicamente revelados.

Triste em Biarritz, Delphine decide voltar mais uma vez para Paris. Na estação de trem, por acaso, ela acaba conhecendo um rapaz com quem consegue conversar e se abrir. Talvez, em um pôr-do-sol, o raio verde os espera...