A diretora que queria ser húngara

 O que herdamos de nossos parentes? O que significa uma nacionalidade? O que escolhemos ser? Qual o valor sentimental que se pode ter por terras distantes de antepassados? Para responder a essas perguntas, a diretora Sandra Kogut pesquisou a história de sua família e teve a idéia de conseguir um passaporte da Hungria, terra de seus avós, que vieram para o Brasil em 1937 fugindo do nazismo. Assim, ela trilharia o caminho inverso de seus familiares, voltando à Europa. Mas, além do pedido do documento, ela decidiu fazer um filme sobre todo o processo.

Este é o enredo de Um Passaporte Húngaro, documentário exibido na Première Brasil do Festival do Rio de 2003, que também recebeu uma Menção Especial do Júri do Festival É Tudo Verdade 2002. O filme aborda o sentimento de exílio e também o amor pela nova terra, mostrando avó e neta fazendo caminhos contrários uma da outra.

 Foram dois anos de muitas conversas com familiares, muita papelada, idas incansáveis aos consulados, e exaustivas pesquisas no Brasil e na Hungria. O documentário mostra toda a burocracia das várias etapas percorridas por Sandra até conseguir finalmente o que queria: o passaporte e o filme, uma co-produção do Brasil, França, Hungria e Bélgica.

 Graduada em vídeo pelo Video Free América, em São Francisco, nos Estados Unidos, nos anos 80 Sandra tornou-se uma das pioneiras na videoarte brasileira. Nos anos 90, ela fez alguns de seus projetos mais importantes, como Parabolic People, de 1991. Entre 1994 e 1997, foi diretora do programa Brasil Legal, da TV Globo.