A Cinelândia parou na quarta-feira, dia 12 de dezembro, para ver a terceira edição do Miscelânea Odeon. Desta vez o evento, que é comandado pelo poeta Chacal, entrou na máquina do tempo e buscou no passado elementos bíblicos (da criação do mundo ao nascimento de Jesus) e os misturou com elementos do futuro: muita tecnologia, andróides e galáxias.

Foram mais de seis horas de atividades interativas em um natal eletro-bíblico que uniu em um só lugar: filmes, vídeos, instalações, performances, música, moda, poesia e teatro.

 

Na porta do Cine Odeon BR, estavam sendo exibidas imagens de filmes futuristas em vários monitores colocados entre um emaranhado de fios, latas de negativos e manequins, em um cenário produzido por Sérgio Marimba. E para entrar logo no clima da festa, no saguão do cinema, a estilista Luiza Marcier e sua equipe davam um trato no visual do público, criando na hora figurinos e adereços únicos, como togas estilizadas, roupas futuristas e penteados diferentes, deixando todos muito mais coloridos.


 

A noite começou com a exibição do clássico Blade Runner - O Caçador de Andróides, de Ridley Scott no cinema. Enquanto isso, do lado de fora, a praça havia virado uma improvisada pista de dança, animada pelo som da dupla de DJs Nepal e John Woo, que tambêm fazem parte do Apavoramento Sound System.

Depois do filme, o palco do cinema foi tomado pela banda Bahrulho, que instaurou um alvoroço com sua música contagiante, cheia de poesia e percussão. Em seguida, foi a vez do Auto de Natal. Não. Na verdade aconteceu o "Baixo de Natal" com uma interpretação bem alternativa de cenas da Bíblia, como um inusitado encontro de Moisés com os Três Reis Magos. A multidão que se formou dentro e fora do cinema, foi chamada, de acordo com o tema do Miscelânea, de "povo da Galiléia".

 

Chacal recitou um poema de seu novo livro antes que começasse a performance-simbiose de PAULAGABRIELA que se apresentaram juntas, dentro de uma espécie de cone de pano elevado nas alturas, enquanto um vídeo era exibido.

A segunda banda foi a Chelpa Ferro, que mistura artes plásticas com música eletrônica e se apresentou com o clássico Os Dez Mandamentos passando na telona.

 

Por volta de meia-noite, a encenação do Baixo de Natal, levou o público para a praça. Foi então a vez do Presépio Vivo, com todos os personagens do drama e mais o "povo da Galiléia". A trilha sonora então veio das pickups do Duplex, que fez um barulho natalino bem criativo para o nascimento de Jesus em uma "banheira manjedoura".

 

Quando estavam todos dançando na praça, eis que chega a grande surpresa da noite. O próprio: Papai Noel e suas renas animadas. Aliás, a entrada não poderia ter sido mais triunfal: a multidão se abriu para a Brasília vermelha de Papai Noel, enquanto os integrantes do Brasov se apertavam no banco de trás e na mala do carro.

 

 

Sempre irreverente, a banda tocou com seus habituais trajes de porteiro (tirando o vocalista que esqueceu o figurino) e com chapéus de natal. Durante a apresentação, o "Chacal Noel" distribuiu presentes e o artista plástico e músico Cabelo subiu ao palco para dar uma canja. O Brasov deu bis, mas não foi suficiente: o "povo da Galiléia" queria mais. A terceira edição do Miscelânea Odeon passou da meia-noite, confirmando o sucesso do evento. Foi antecipado, mas foi um feliz Natal. Como diria Papai Noel: rô rô rô!

(Dominique Valansi)