Cidade de Deus
no Oficina Vídeo-Escola

Alunos de pré-vestibulares de comunidades carentes deixaram do lado de fora do Cine Odeon BR o sol de domingo e entraram para ver o filme Cidade de Deus, de Fernando Meireles, baseado no livro homônimo de Paulo Lins. Foi mais uma edição do Oficina Vídeo-Escola, que aconteceu no dia 25 de agosto, lotando os dois andares do cinema.

A sessão foi seguida por um debate com atores do filme e Jaison de Souza. Estavam presentes Leandro Firmino da Hora, de 24 anos, que interpreta o vilão Zé Pequeno; Frederico Lins, filho de Paulo Lins, que participa do filme como um traficante do Bando do Cenoura; Renato de Souza, o Marreco do Trio Ternura, primeiros bandidos da Cidade de Deus; e Luiz Nascimento, que faz parte do Bando do Zé Pequeno.

Jaison de Souza fez vários questionamentos para a platéia e para os atores. A questão principal para ele foi o impacto do filme: se este seria bom ou ruim para a percepção do espaço das comunidades carentes. Ele também falou sobre a sensação de desconforto que o filme deve causar nas classes médias.

Leandro Firmino contou sua experiência de ser selecionado logo na estréia para papel de protagonista do filme. Antes dos testes para atores, ele estava estudando para a prova de sargento da Aeronáutica, plano logo abandonado para viver o líder do tráfico da Cidade de Deus, Zé Pequeno, nas telas. “O cinema está sendo uma experiência transformadora na minha vida”, contou.

Renato de Souza, que vive o Marreco no filme falou sobre a ONG Ex-Cola, que ele trabalhava antes de ser selecionado para o filme. Luiz Nascimento e Frederico Lins, do Grupo Nós do Cinema, falaram sobre a dificuldade de se conseguir patrocínio e outras questões que o filme aborda como a banalização da violência, o racismo no Brasil, a violência como forma escolhida por muitos para escapar da falta de empregos, e etc.

O debate durou mais de duas horas e contou com a participação dos estudantes, professores e educadores que estavam na platéia, com perguntas, comentários e relatos de experiências vividas em comunidades carentes. Muito assediados, os atores distribuíram autógrafos para os novos fãs, no final do debate.

(Dominique Valansi)