|
( Kadosh)
Um filme de Amos Gitai
Co-produção Agav Hafakot, M. P. Produções E Le Studio Canal +
ISRAEL 1998, 110 min.
" Não é só o primeiro filme de Israel a ser indicado em Cannes nos últimos 25 anos, mas também o melhor filme de Amos Gitai até hoje, e um dos melhores
da seleção" Télérama, França
"Fascinante e enfurecedor. Poderoso e triste. Abecassis Barda estão excelentes, e o retrato que
Hattab faz de um crente humilde porém cheio de conflitos é assustador" Hollywood Reporter (USA)
"Um filme ousado, no qual desempenhos notáveis correspondem a cenas memoráveis, filmadas sem um único corte"
O Figaro (França)
FICHA TÉCNICA:
Direção : Amos Gitai
Produção: Michel Propper / Amos Gitai
Produtor: Laurent Truchot
Fotografia: Renato Berta
Roteiro: Amos Gitai / Eliette Abecassis / Jacky Cukier
Direção de Arte: Miguel Markin
Música: Philippe Eidel
Maquiagem: Ziv Katanov
Som: Michel Kharat
Figurino: Laura Dinulasco
ELENCO:
Rivka: Yael Abecassis
Meir: Yoram Hattab
Malka: Meital Barda
Yossef: Uri Ran Klauzner
Rav Shimon: Yussef Abu Warda
Yaakov: Sami Hori
Elisheva: Lea Koenig
Ginecologista: Rivka Michaeli
SINOPSE:
No bairro ultra ortodoxo de Jerusalém, duas irmãs reagem diferentemente aos preconceitos religiosos defendidos pelos homens. Rivka é forçada pelo rabino
a abandonar o marido porque eles não podem ter filhos.
Malka, sua irmã, está apaixonada por um rapaz que foi escolhido para viver fora da comunidade e deve casar-se com o ajudante do
tabino. Enquanto Rivka mergulha numa vida de silênciio e solidão, Malka rebela-se.
BIOGRAFIA DO DIRETOR
Amos Gitai nasceu em Haifa em 1950. Sua mãe nasceu em Israel e ensina teologia judaica. Seu pai nasceu na Polônia e estudou arquitetura na
Bauhaus. Amos Gitai estudou arquitetura. Na guerra de Yom Kippur usou uma camera
super 8 para filmar o conflito. Após a guerra, estudou arquitetura em Berkeley, Califórnia. Continuou a fazer documentários para a TV israelense,
que censura duas de suas obras. Gitai decide então mudar de Israel para Paris, onde continua a fazer filmes entre ficção e documentário tais como
"Esther" (1985), "Berlim-Jerusalém" (1989), "Golem, o Espírito do Exílio"
(1992) e "O Jardim Petrificado" (1993). Desde sua volta a Israel em 1993, Amos Gitai fez dez filmes onde se
entrecruzam os destinos daqueles que fazem a história antiga e contemporânea de Israel.
Seus filmes mais recentes comentam seu país hoje, através de três de suas cidades radicalmente diferentes:
"Devarim" (1995), filmado em Tel Aviv, "Yom Yom" (1998), filmado em Haifa e, por último, "Kadosh", filmado em
Jerusalém.
FILMOGRAFIA:
1980 Casa
1981 Wadi
1982 Diário de Campo
1983 Ananas
1984 Bangkok-Bahrein
1985 Esther
1989 Berlim Jerusalem
1991 Wadi, dez anos depois
Golem, o espírito do exílio
1993 O Jardim Petrificado
1994- Dê uma Chance a Paz O Diário de Amos Gitai no Vale Wupper
1995- Devarim
1996- Arena do assassinato
1997- Guerra e Paz em Vesoul
1997 - Kippour
1997 - Um Dia Novo em Folha
1998 Yom Yom
1999 Kadosh
ENTREVISTA COM O DIRETOR
1) Kadosh completa uma trilogia localizada em três das principais cidades de
Israel. Por que você escolheu a ultra ortodoxa comunidade de Mea Shearim como palco de sua história em Jerusalém?
Quando resolvi fazer um filme sobre Jerusalém, o assunto óbvio a ser abordado me pareceu ser a religião. Daí o título do filme - Kadosh - que
significa "sagrado". Há mais de três mil anos Jerusalém é um centro espiritual importante. Assim cheguei a Mea Shearim. Este bairro é
profundamente diferente, excepcional. Sua comunidade se resguarda e quer ser uma "área protegida". Eu a achei fascinante.
2) A fim de mergulhar neste universo religioso, você expõe o ponto de vista
de duas irmãs que são membros desta comunidade.
A grande contradição, em todas as religiões monoteístas, é o lugar dado às
mulheres. E toda autoridade religiosa é mantida pelos homens. Pretendi
desafiar isto com dois fortes personagens femininos. Quiz mostrar duas mulheres, duas irmãs, confinadas nesta comunidade insensível.
3) A comunidade define-se através de sua obediência. Este sentimento provoca
uma reação em cada uma das irmãs, Rivka e Malka. A primeira se permite ser repudiada por ser estéril. Malka se revolta e foge. São estes os únicos
caminhos possíveis?
Meu interesse fundamental, que já expressei nos dois outros filmes, mas especialmente em Kadosh, é a relação entre o indivíduo e a comunidade. O que
importa à comunidade é a sua continuidade. Não posso julgar isto, mas posso observar as contradições. A revolta das duas irmãs resulta de seu desejo de
resolver algumas destas contradições. Cada uma destas mulheres só tem uma alternativa.
4) A fim de descrever esta comunidade por dentro, você dividiu o roteiro com
Eliette Abecassis.
O roteiro também tinha que ser escrito por uma mulher, pois eu queria colocar a mulher no centro do dilema com a religião. E Eliette é uma judia
praticante. Sua presença foi fundamental em estabelecer o perfil dos
personagens, sem caricaturas ou exotismos.
5) Como os atores se prepararam, já que você usou atores não religiosos?
Yael Abecassis e Meital Barda, respectivamente Rivka e Malka, estavam profundamente motivadas. Meital tem apenas 20 anos, mas vem de uma família
religiosa, com quem rompeu para ser atriz. Na tela ela transmite sua força. Yoram Hattab, que faz Meir, é um intelectual, pesquisou todo o Talmude. Cada
um mergulhou naquela mentalidade à sua maneira.
6) Como permitiram que filmasse em Mea Shearim?
Insisti em filmar lá. Obtive a permissão e a colaboração da comunidade. Alguns interiores eu fiz em Tel Aviv, outros em Mea Shearim mesmo.
7) Esta é a primeira vez que você lida com uma história totalmente ficcional.
É verdade. Todos meus filmes falam do exílio, seja exílio interior ou exílio de um povo no tempo e no espaço. Através da ficção consigo mostrar as
contradições e a insensibilidade destas comunidades ao nosso tempo.
8) O lugar de uma comunidade religiosa é um tópico candente em Israel.
Israel está exausto de conflitos, guerras, sangue e perda de vidas humanas. Estão buscando uma identidade. Não sou religioso, mas neste fim de século
estamos precisando do espiritual, pois o indivíduo se relaciona com a sociedade somente através do capitalismo, do consumismo e da alienação. Para
mim, filmar é me comunicar intelectual e espiritualmente com elementos da minha vida, com minhas raízes, com os outros. Por isto entendo as
frustrações destas pessoas do filme. Eu não os julgo. Compreendo seus
esforços e necessidades.
|

Amos Gitai



|