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| (The Book Of Life) um filme de HAL HARTLEY Sinopse: 31/12/99. Jesus desembarca em Nova York com sua belíssima assistente Madalena. O início do novo milênio seria o fim da vida? Ele tem a resposta e luta contra Céu e Inferno e consigo próprio pela salvação dos homens. Num caleidoscópio de imagens vivas e rápidas, ao ritmo de música pulsante, neste mundo tecnológico e computadorizado, a história do destino de um homem se desenrola, numa corrida contra o tempo, como um thriller de espionagem. Direção e Roteiro: Hal Hartley Produção: Thierry Cajianut / Matthew Myers / Caroline Benjo / Carole Scotta Fotografia: Jim Denault Música: P.J. Harvey / P. Comelade / David Byrne / Ben Watt / Yo La Tengo Elenco: Martin Donovan, P.J. Harvey, Thomas Jay Ryan, Dave Simons, Mho Nikaido 63 minutos/ EUA/ 1998 * Entrevista com Hal Hartley: Qual foi sua primeira reação à idéia de fazer um filme sobre o ano 2000? Eu já trabalhava há dois anos numa peça sobre os cristãos milenaristas, pessoas que aguardam o fim do mundo plenos de alegria, na expectativa do julgamento de Cristo sobre os vivos e os mortos. Estava totalmente envolvido com umas idéias que havia deixado de lado por não serem apropriadas à peça, mas que ainda assim me interessavam muito. O convite para fazer um filme sobre o ano 2000 coincidiu perfeitamente com a preocupação atual (e característica) com "o fim dos tempos". A história escolhida por você é uma reinterpretação, potencialmente muito controversa, do Apocalipse. Por que você produziu esta história? Você teme que ela possa desencadear alguma reação violenta? Acho que meu filme vai passar despercebido por uma parcela significativa do público americano, mas é um desafio um tanto jocoso para os programadores de TV daqui dos Estados Unidos. Vou ficar feliz se ele for exibido. Por que escolhi uma história como essa? Bem, como disse, eu tinha todo esse material. Parte dele era realmente engraçado, mas também muito pertinente, apesar de não parecer apropriado à peça que estava escrevendo. Passei tanto tempo tentando pensar como esses cristãos apocalípticos, que achei bem-vinda a oportunidade de dar corpo a uma imagem de Cristo que estivesse um pouco mais relacionada à minha própria leitura do Novo Testamento. Simplificando, quem quer que seja o homem descrito naquelas páginas, ele não se parece com uma pessoa vingativa. Parece que você adora combinar modernidade e tradição clássica, como por exemplo a figura de Madalena com a de Polly Jean Harvey. O que isso significa para você? É verdade. Percebo que, na realidade, o trabalho que faço é um esforço de falar para uma tradição, mas sinto muito fortemente que o exercício de falar para uma tradição tem de ser num modo particular à sua época e lugar. Quanto a Polly/Madalena, também acho que é um erro ficar procurarando coisas onde elas não existem. Montaigne escreveu: "Um homem só pode ser o que ele é e somente pode imaginar conforme sua capacidade". Sinto uma certa confiança ao ter ganho esse material e criado algo a partir dele. Polly se utiliza de umas imagens espirituais católicas intensamente belas nas canções de súplicas de amor, etc... Martin Donovan é o católico mais relapso que conheço. Tom Ryan e eu lutamos durante meses em cima da questão se deveríamos ou não retratar Henry Fool -literalmente- como o Diabo. Foi bom ter tido parâmetros bem precisos para o filme: 31 de dezembro de 1999, engraçado, americano, etc. Busquei a harmonia entre os materiais: um personagem Magdalena, um indivíduo (persona) Polly Jean Harvey. Me pareceu o único caminho natural a enveredar. Seu filme é esteticamente muito novo. Poderia nos dizer o que você fez e qual seu objetivo ao usar esta nova técnica (video digital blown up em 35mm) para este projeto específico? E também poderia nos dizer mais a respeito do significado da música quando se escreve? Acho que estética e economia têm muito a ver uma com a outra, mas não vejo necessidade de que isso seja uma chatice. No mundo em que vivo, pelo menos, é muito difícil fazer um trabalho que não se encaixe nos domínios do comportamento aceitável, a menos que você o faça por quase dinheiro nenhum. Tudo bem. Eu seguro as pontas e não me rendo. Descubro como realizar um trabalho que me interesse -do JEITO que me interesse- por pequenas quantias de dinheiro. Daí, eu tenho essa câmera minúscula que faz imagens impressionantemente lindas. Mas as imagens não são nada parecidas com o que aspiro quando estou gravando um filme. Então, eu tenho que olhar. Na realidade, eu experimento. É uma tentativa de entender o que é que este novo meio faz bem, e como estas coisas boas que ele faz provocam mudanças nos meus hábitos de trabalho. Em termos de música, tentei me deixar levar pelo material real com que estava trabalhando. Polly Jean, Ben Watt, Georgia Hubley e Ira Kaplan (Y la Tengo), todos haviam me oferecido estas músicas e - até onde pude - deixei que elas interferissem no que escrevia. Na realidade, a música influiu mais na minha direção - condicionou minha reação em certos ambientes e na movimentação dos atores. O que o ano 2000 significava para você quando criança? Jamais poderia imaginar ter quarenta anos. Tudo isso parecia impossível e distante. De qualquer forma é interessante. Tente se sentar com alguém de dez anos de idade, desafiando-o a ficar parado por 60 segundos. Esinstein estava certo: o tempo se move a velocidades diferentes em diferentes circunstâncias.
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