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80 anos da United Artist
 

Numa época marcada simultaneamente por altos índices de desemprego, de um lado, e as fusões cada vez mais freqüentes entre grandes companhias, vale a pena refletir um pouco sobre algumas saídas para "crises"; sobre formas de união que mantenham, principalmente, uma certa independência criativa.

A experiência desta edição do Festival do Rio faz prova de tal necessidade. Em nossa área específica, lá no final da década 10, quatro talentos instrumentais para a consolidação do cinema enquanto manifestação de arte e indústria populares – insatisfeitos com a falta de independência característica do trabalho contratual para outros produtores – resolveram unir-se a fim de produzir seus próprios filmes, financiar produções de "qualidade" de outros realizadores independentes e negociar contratos de distribuição fora do sistema vertical monopolista então em ascensão. Os quatro visionários eram, nada mais nada menos, que Charles Chaplin, Douglas Fairbanks, Mary Pickford e o diretor David W. Griffith.

Apesar dos percalços da empreitada pioneira, como a irregularidade de produção e inexistência de circuito garantido, cada filme era negociado a partir de seus próprios méritos, e a idéia de "terceirização" embutida no projeto original acabou, décadas depois, tranformando-se no caminho mais viável de produção cinematográfica. O aluguel de estúdios, equipamentos, equipe, contratos individuais sobrevive, assim, até hoje como forma administrável de produção independente, enquanto que o "sistema de estúdio" entrou em crise e desapareceu.

A seleção de títulos escolhida aqui, dando continuidade ao projeto Conexão MoMA, traz, em sua maioria, filmes do acervo do Museu de Arte Moderna de Nova York celebrando o talento especial de cada um dos quatro pioneiros.

Alguns episódios vieram a contribuir para profundas mudanças no grupo United Artists. O problema na divisão dos lucros criou divergências inevitáveis. Griffith é o primeiro a debandar – seu último filme para a UA, em 1924, está incluído aqui. Pickford e Fairbanks casam-se em 1920. Este decide largar o cinema em 1934 e morre cinco anos depois. Pickford e Chaplin permanecem ligados à UA até 1951, negociando seus interesses para um outro consórcio também independente, formado por dois advogados ligados à indústria do entretenimento.

João Luiz Vieira
Crítico, Pesquisador e Professor de Cinema


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