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Première Brasil
 

Abrindo a temporada de fim-de-ano para os novos filmes brasileiros, a Première Brasil era um dos segmentos mais concorridos da Mostra Rio. Também o Rio Cine Festival havia inaugurado, no ano passado, uma programação semelhante, a Pré-estréia Carioca.

A Première Brasil deste ano apresenta dois documentários – Santo Forte, de Eduardo Coutinho, e Um Certo Dorival Caymmi, de Aluisio Didier -, espelhando a ascensão desse tipo de cinema também no Brasil. São dois realizadores de formações diferentes, mas de igual empenho em mergulhar fundo nas entranhas de seus temas. Coutinho, autor do célebre Cabra Marcado para Morrer, reafirma sua condição de mestre do documentário nacional, e sua obra é necessário ponto de referência para realizadores mais jovens, que têm seus documentários inseridos em outros programas deste Festival.

Nos cinco filmes de ficção da Première Brasil, pode-se ouvir uma conversa entre várias linhas muito caras ao cinema brasileiro. A adaptação de grandes obras da literatura é exemplificada por O Tronco, em que João Baptista de Andrade leva à tela Bernardo Elis. Em Mauá, de Sérgio Rezende, é a História que ressurge num épico fundamental para se compreender a formação do Brasil moderno. Já Carlos Reichenbach prossegue, com Dois Córregos, em sua minuciosa tecelagem de memórias, impasses e descobertas que fazem a história íntima da sociedade brasileira.

O auspicioso retorno de Alberto Graça à direção, em O Dia da Caça, revigora o gênero policial entre nós, abordando o tema do tráfico de drogas com uma complexidade raras vezes vista. Exercitando outro padrão dramatúrgico, o drama familiar Oriundi incorpora um aspecto incomum no cinema brasileiro: a reencarnação. Seu diretor, Ricardo Bravo, e Aluisio Didier fazem suas respectivas estréias no longa-metragem sob os eflúvios da Première Brasil.

Chama atenção, ainda, a presença de atores estrangeiros em três filmes desta seleção: Oriundi, Mauá – O Imperador e o Rei e O Dia da Caça. Longe de ser um luxo, porque intimamente relacionadas ao contexto de cada filme, essas colaborações ajudam a colocar em prática os debates sobre internacionalização e co-produções que se desenrolam em outras esferas do Festival.

A síntese de cinema brasileiro representada por esses sete filmes significa não apenas a garantia de uma boa temporada, mas também a expectativa de um futuro viável para os filmes brasileiros. O Festival do Rio conta com isso.

DOIS CÓRREGOS
MAUÁ - O IMPERADOR E O REI
O DIA DA CAÇA
O TRONCO
ORIUNDI
SANTO FORTE
UM CERTO DORIVAL CAYMMI

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