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| Dentro da programação da Mostra Rio, Midnight Movies costumava ser o recanto das bizarrices, transgressões, maldições. Coisas de deliciar e arrepiar os cinéfilos mais compenetrados. E não é isso que vai mudar agora, com o Festival do Rio. O menu é intrigante, assustador. A começar pelo grande hit do verão americano, A Bruxa de Blair, em que dois garotões descolados criaram, através da Internet e com ajuda de um enorme talento, um fenômeno de bilheteria a custo de curta-metragem. O filme é apresentado como um falso documentário, aludindo ao tipo de cinema que é definitivamente o hype deste fim de século. Dos 16 filmes desta seleção, nada menos que 12 são documentários, tão atraentes quanto os mais espertos filmes de ficção. Os temas variam de prostitutas travestis na Tailândia aos curiosos personagens em busca de transcendência de Lucky People Center International; do jazz ao Radiohead; de Escher a Munch; da mulher que deitou com 251 homens em 10 horas aos astros dos filmes B de sex-ploitation americanos. Midnight Movies traz também um representante brasileiro, Olé, de
Roberto Santucci Filho, comédia que atira um nordestino no centro da muvuca de Los
Angeles. A ousadia de misturar e revirar o mundo pelo avesso faz o charme fim-de-noite
desses filmes. |