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| Quando a história do cinema dos anos 90 for escrita, um capítulo de honra terá que ser dedicado aos documentários. Não apenas porque as muitas guerras, graves mudanças políticas e grandes questões sociais terão inspirado os cineastas a se voltarem para a realidade, mas também porque o gênero renovou-se e passou a disputar platéias em igualdade de condições com o filme de ficção. Na década que vai chegando ao fim, os documentários tornaram-se cada vez mais pessoais, matizados e fascinantes. Razão suficiente para que o Festival do Rio não apenas programasse diversos exemplares em várias mostras, como também abrisse um espaço especial para as ricas relações entre Filme & Realidade. Três documentários brasileiros colocam na tela, em abordagens muito distintas, a mitologia religiosa do país: Fé, de Ricardo Dias, Milagre em Juazeiro, de Wolney Oliveira, e Pierre Verger: Mensageiro entre Dois Mundos, de Lula Buarque de Holanda. Somados a Santo Forte, de Eduardo Coutinho, que integra a Première Brasil, esses filmes testemunham sobre um tema aparentemente inesgotável. Por sua vez, os jovens Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi apresentam Cine Mambembe, o comovente resultado de sua peregrinação pelo Brasil profundo a bordo de um cineminha itinerante. O holocausto dos judeus na II Guerra Mundial volta à tona no premiado Fotógrafo
Amador e em Um Especialista. Os dilemas africanos comparecem com Mobutu, Rei
do Zaire e Rostov-Luanda. A nova onda de documentários pessoais é
representada pelo marroquino Na Casa do Meu Pai e pelo filme-diário do israelense
Ron Havilio, Fragmentos Jerusalem. Desafios de montanhismo e o bug do milênio
também competem pela atenção dos amantes do documentário. |