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| O cinema brasileiro entrou na década de 90 sob o signo da quase total desmobilização: cineastas parados, projetos interrompidos, filmes engavetados e praticamente nenhum recurso para novas produções. Até que, em 1994, o surgimento de algumas leis de incentivo começaram a reativar o setor e preparar o que viria a ser chamado de "retomada". O lançamento de Lamarca, de Sérgio Rezende, e mais adiante de Carlota Joaquina, Princesa do Brazil, de Carla Camurati, serviu para comprovar que o público não tinha virado as costas para os filmes brasileiros. Desde então, o mercado voltou a ser irrigado por um fluxo de filmes diversificados, comunicativos e tecnicamente competentes, que também restauraram o interesse internacional pelo cinema brasileiro, numa tradição que vem dos anos 50. O reaquecimento da produção, contudo, não é o bastante para garantir a saúde do cinema. A distribuição e a exibição ainda representam gargalos difíceis na circulação dos filmes brasileiros, que muitas vezes não conseguem alcançar o público a que se destinam. Através da mostra Cine Brasil, o Festival do Rio leva 28 títulos, entre os melhores dos anos 90, a dois cinemas de Del Castilho e Caxias. Queremos com isso ampliar, ainda que apenas simbolicamente, o acesso dessas platéias a um cinema que vai diverti-la ao mesmo tempo em que falará de perto à sua realidade e seu imaginário. Nossa esperança é de que, no ano que vem, não precisemos mais abrir uma
exceção na dieta cinematográfica dessas e outras áreas, mas que o cinema brasileiro
já faça parte natural do seu entretenimento. |