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John Cassavettes
 

Mesmo uma década após a sua morte, a filmografia do americano John Cassavetes (1929-1989) permanece como um exemplo da possibilidade de um cinema alternativo à estrutura paradigmática do cinema clássico, mesmo nos Estados Unidos. Seus filmes foram realizados segundo princípios quase artesanais: orçamento reduzido, produção independente, a mesma equipe de técnicos e atores.

Nascido em Nova York, filho de um imigrante grego que fez e perdeu fortuna, Cassavetes começou no cinema como ator e chegou a criar a oficina teatral Variety Arts Studio, em 1957. Em paralelo à carreira de cineasta, fez importantes papéis em filmes como Um Homem Tem Três Metros de Altura, O Bebê de Rosemary e Os Doze Condenados, pelo qual recebeu a indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante em 1967. A influência do papel do ator, e do modelo de atuação do Actor’s Studio, é claramente perceptível na obra de Cassavetes. Seus filmes são basicamente intimistas, centrados nas tensões e conflitos do relacionamento humano, com grande espaço para uma certa improvisação controlada do elenco. Possuem, sobretudo os filmes "menores", um ritmo e uma poesia tão peculiares que soam como música de câmara embalando o ritmo da vida.

Seu primeiro filme, Sombras, rodado de 1957 a 1959 nas ruas de Nova York, causou repercussão imediata. Num drama familiar sobre relacionamento interracial, a sensibilidade de Cassavetes impressionou os críticos, que rapidamente o incluíram na gênese do cinema underground norte-americano. O sucesso de Sombras levou Cassavetes a fazer dois filmes em Hollywood. O primeiro, A Canção da Esperança (1961), conta a história de um talentoso pianista de jazz dividido entre seus ideais artísticos particulares e a possibilidade de se tornar uma grande estrela – um paralelo claro com a própria situação pessoal de Cassavetes. No segundo, Minha Esperança É Você (1963), um desentendimento com o produtor Stanley Kramer causou o afastamento de Cassavetes. Ele estava finalmente convencido a prosseguir sua carreira como realizador independente.

A partir de então, Cassavetes utilizaria suas atuações em filmes alheios como forma de reunir recursos para seus projetos pessoais. Depois de Faces (1968), uma espécie de segundo marco zero em sua carreira, a década de 70 se revelou prodigiosa para o diretor. Os Maridos (1970), Assim Falou o Amor (1971) e Noite de Estréia estão entre os seus melhores filmes, realizados praticamente em família com a mulher, Gena Rowlands – com quem se casou em 1954 -, e os amigos Seymour Cassel, Peter Falk, Ben Gazzara, o produtor e fotógrafo Al Ruban e o músico Bo Harwood. São mergulhos em profundidade nos mecanismos das neuroses urbanas, do casamento e do complexo de culpa.

A proposta de Cassavetes, nos filmes como nas várias peças teatrais que escreveu, é fazer uma grande painel da vida adulta americana. Seu estilo realista retrata pessoas que enfrentam uma crise de valores, revelando um lado mais sombrio por trás do aparente equilíbrio do american way of life. Não por acaso, os únicos gêneros da indústria que Cassavetes revisitou foram o filme noir, em A Morte de um Bookmaker Chinês (1976) e Um Grande Problema (1986), e o filme de gangsters, em Glória (1980).

A CANÇÃO DA ESPERANÇA
A MORTE DE UM BOOKMAKER CHINÊS
AMANTES
ASSIM FALOU O AMOR
FACES
GLÓRIA
MINHA ESPERANÇA É VOCÊ
NOITE DE ESTRÉIA
OS MARIDOS
SOMBRAS
UM GRANDE PROBLEMA
UMA MULHER SOB INFLUÊNCIA

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