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Encontro com o cinema português: seminário que reuniu, no Rio de Janeiro, de 29 de abril a 1º de maio, profissionais de cinema portugueses e brasileiros, dos setores da produção, distribuição e exibição, e dos canais de televisão.

O objetivo primeiro deste seminário foi proporcionar o conhecimento mútuo entre os profissionais dos dois países, no sentido de exporem suas realidades e, a partir disto, possibilitar o desenvolvimento de projetos comuns, com vista à criação de um mercado alargado de língua portuguesa para o cinema e o audiovisual.

Brasil e Portugal já dispõem, desde 1997, de um protocolo de cooperação cinematográfica que possibilitou, em dois anos, a co-produção de oito filmes de longa-metragem. Todavia, nas áreas da distribuição e exibição, bem como, da televisão, faltam instrumentos capazes de fazer circular as produções dos dois países.

O seminário foi organizado em três mesas temáticas, com a seguinte composição:

1. Co-produções cinematográficas entre Portugal e Brasil

    • Paulo Branco - produtor, distribuidor e exibidor - Madragoa Filmes / Atalanta Filmes / Medeia Fillmes
    • Tino Navarro - produtor -co-produtor de "O Xangô de Baker Street" - MGN Filmes
    • Amandio Coroado - co-produtor de "Amor e Cia." - Rosa Filmes
    • Pedro Berhan da Costa, presidente do ICAM
    • Helvécio Ratton - diretor de "Amor e Cia."
    • Bruno Stroppiana - produtor de "O Xangô de Baker Street" e "Estorvo", co-produtor de "Tentação" e "Rio do Ouro"
    • Jon Tob Azulay - diretor de "O Judeu"

2. Distribuição e exibição cinematográfica

    • Paulo Branco - produtor, distribuidor e exibidor - Madragoa Filmes / Atalanta Filmes / Medeia Filmes
    • José Antunes João - distribuidor e exibidor - Grupo Lusomundo
    • José Manoel Castello Lopes - distribuidor e exibidor - Grupo Castello Lopes
    • Pedro Berhan da Costa, presidente do ICAM
    • Ugo Sorrentino - distribuidor e exibidor - Art Filmes
    • José Carlos Avellar - presidente da Rio Filme
    • Luis Carlos Barreto - produtor

3. A relação das televisões com o cinema

    • Tino Navarro - produtor - co-produtor de "O Xangô de Baker Street" - MGN Filmes
    • Manuel Fonseca - sub-diretor da SIC
    • Luis Cunha Velho - diretor de produção da TV I
    • Ana Fischer - diretora da RTP
    • Gustavo Dahl - produtor
    • Ivan Isola - diretor do programa de integração TV/Cinema - TV Cultura
    • Wilson Cunha - diretor do Canal Brasil

Estiveram, também, presentes aos debates, entre outros:

    • Walkiria Barbosa - produtora - Total Filmes
    • Fábio Barreto - diretor
    • Paulo Sérgio de Almeida - distribuidor - Filme B
    • Nélson Pereira dos Santos - diretor
    • Paulo Cezar Saraceni - diretor
    • Clélia Bessa - produtora - Raccord Produções
    • Ruy Guerra - diretor
    • Vera Zaverucha - TV E
    • Ailton Franco Jr. - produtor
    • Rosanne Svartmann - diretora
    • Victor Lopes - diretor
    • Antônio Carlos Fontoura - diretor
    • Arturo Pisciotti - Grupo Severiano Ribeiro
    • Gilberto Leal - marketing - Top Filmes
    • Tarcísio Vidigal - produtor - Grupo Novo
    • Paulo Thiago - diretor
    • Belizário Franca - diretor
    • Elisabeth Rito - GNT
    • Cosme Coelho - GNT
    • Raquel Almeida - produtora
    • Leila Hipólito - diretora
    • Lúcia Murat - diretora
    • Paula Martinez Melo - produtora
    • Zelito Viana - diretor
    • Vânia Catani - produtora
    • Nélson Hoineff - crítico

O Seminário

O encontro entre profissionais portugueses e brasileiros, para além de avaliar as situações atuais de mercado, serviu para deixar clara a existência de interesses comuns e reafirmar a importância de estreitar o relacionamento entre as duas cinematografias.

Durante os três dias de debate, traçou-se um panorama dos problemas e perspectivas para o cinema nos dois países:

Em Portugal existe, desde há três anos, um nível de produção estável (10/12 filmes por ano), as salas de cinema comerciais exibem toda a produção nacional, em alguns casos com enorme sucesso de bilheteria, e as televisões, pública e privada, investem financeiramente e na promoção dos filmes nacionais. O número de telas tem aumentado substancialmente graças à construção de multiplex, resultando no crescimento do público (cerca de 15 milhões de ingressos vendidos para uma população de 10 milhões).

O cinema brasileiro, nos últimos 4 anos, viveu um período de fortalecimento de sua produção graças, principalmente, à Lei do Audiovisual. Hoje, produz-se, em média, 20 filmes por ano. O setor de exibição também passa por um processo de ampliação e modernização, com a abertura dos conjuntos multiplex em diversas cidades do país e um considerável aumento do público. No entanto, faltam políticas públicas e recursos direcionados à promoção e distribuição, capazes de garantir a presença da produção nacional nas salas de cinema, competindo em condição de igualdade com o produto estrangeiro. Com exceção de algumas experiências pontuais, não há a participação financeira efetiva das televisões na indústria cinematográfica.

Apesar do tratado de cooperação acima mencionado, os filmes portugueses não são vistos pelo público brasileiro e vice-versa, mesmo quando se trata de co-produções entre os dois países.

Tal como já existem instrumentos e incentivos públicos de apoio às co-produções, houve um consenso entre os participantes sobre a necessidade de serem criados mecanismos nos dois países que facilitem a circulação nas salas - e a difusão televisiva - dos filmes portugueses e brasileiros.

Neste domínio, algumas idéias destacaram-se:

- a circulação das produções brasileiras e portuguesas deve passar duma perspectiva meramente cultural para uma lógica comercial;

- ações isoladas, por si só, não resultam, sendo fundamental a existência de mecanismos que assegurem a presença contínua e sistemática dessas produções em ambos os países;

- iniciativas como a realização regular de Mostras Informativas no Brasil e em Portugal são importantes e bem-vindas, para atrair atenção do público, mas devem fazer parte de um programa mais abrangente de lançamento dos filmes;

- o potencial de circulação dos filmes deve ser desenvolvido tendo como protagonistas todos os intervenientes interessados: produtores, distribuidores, exibidores e canais de televisão;

- o mercado deve ser pensado para além das fronteiras de Brasil e Portugal, estendendo-se para os demais países e comunidades de língua portuguesa espalhados pelo mundo;

- devem ser os profissionais a ter o impulso de se associarem em projetos comuns, cabendo às autoridades cinematográficas acompanhar e apoiar o desenvolvimento dos mesmos;

- foi sugerida a criação de um consórcio bi-lateral de distribuição e promoção que possa ter acesso a recursos financeiros dos dois países;

- é fundamental encontrar soluções para dinamizar o papel das televisões dos dois países no financiamento e veiculação das obras cinematográficas nacionais;

- há que se encontrar caminhos para que as televisões atuem, também, como via de mão dupla, as de Portugal apostando também nas produções brasileiras e vice-versa;

- face às dificuldades de penetração e afirmação de nossas cinematografias nos grandes mercados mundiais, foi considerado relevante criar um mercado anual do filme e audiovisual lusófono. 

Por fim, como conclusão deste Seminário, foi considerada fundamental a realização periódica de encontros de profissionais dos dois países - devendo o próximo realizar-se em Portugal ainda este ano - assim como, a convocação da comissão mista prevista no Acordo Cinematográfico Luso-brasileiro (artigos 6º e 10º) para encaminhar novas linhas de ação com vistas ao fortalecimento do mesmo. 

Rio de Janeiro, 3 de maio de 1999

Instituto de Cinema, Audiovisual e Multimedia de Portugal

Grupo Estação

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