A mostra é uma iniciativa da embaixada
polonesa no Brasil e já passou por São Paulo, Curitiba e Brasília. O objetivo do evento
é apresentar a importância e a tradição do cinema polonês ao brasileiro e para isto a
curadora, Urszula Groska, escolheu sete filmes de sete diretores fundamentais da história
moderna do audiovisual polonês, são eles: Crônica dos Incidentes Amorosos,
de Andrzej Wajda ; Febre, de Agnieszka Holland; Amador, de Krzystof
Kieslowski ; Camuflagem, de Krzystof Zanussi ; Ao Banco, de Juliusz
Machulski ; A Evasão do Cinema "Liberdade", de Wojciech Marczewski ; e O
Relicário dos Grandes Desejos, de Slawomir Krynski. Todos os filme são inéditos no
país, com exceção de Amador que foi exibido na Mostra de São Paulo de 1980,
lançado no Rio em 1992 e reexibido em 1996.
Pequena história do cinema polonês
A Polônia foi um país pioneiro no que diz respeito ao
cinema e já no final do século passado, ainda antes da consagração pelos irmãos
Lumiere, inventores como Piotr Lebiedzinski e Kazimierz Proszynski criaram formas de
imagem em movimento. Uma pequena indústria de filmes mudos se desenvolveu pouco depois do
estabelecimento da República Polonesa em 1918, mas não resistiu ao surgimento do cinema
sonoro e foi sufocada. Entre 1929 e 1930 cineastas locais criaram a Sociedade dos
Devotos do Cinema Artístico, a START( sigla do nome polonês) e se propunham a fazer
filmes de arte ou de temas sociais, um programa inovador para uma época em que ainda não
se falava em movimentos como a Nouvelle Vague. A START teve um efêmero período de
vida e já em 1935 foi dissolvida, mas mesmo suas propostas influenciaram muitos cineastas
de gerações posteriores.
O cinema polonês quase morreu durante a II Guerra, mas
renasceu das cinzas com câmeras e equipamentos abandonados em cidades destruídas, e
suporte econômico do governo soviético. No momento imediatamente após o fim dos
conflitos os filmes sobre a guerra dominavam a produção local. Neste período os nomes
que mais chamaram a atenção foram a cineasta Wanda Jakubowska e o diretor Aleksander
Ford.
Em 1948 foi criada a Escola de Cinema de Lodz, onde
estudaram muitos dos mais importantes cineastas poloneses modernos, como Andrzej Wajda,
Krzystof Kieslowski, Krzystof Zanussi, e Roman Polanski, este último se distanciou
cedo do país e teve carreira internacional filmando na Holanda, na França, na Inglaterra
e em Hollywood.
Dos diretores que escolhidos para a mostra o primeiro a
fazer sucesso internacional, já na década de 60, foi Andrzej Wajda, um forte opositor do
stalinismo em seu país. Em seus filmes Wajda criticou a influência soviética na
política polonesa e deu visibilidade ao conflito do movimento do sindicato Solidariedade
nos filmes O Homem de Mármore (1976) e O Homem de Ferro (1981). Crônica
dos Incidentes Amorosos (1985) faz parte de uma outra linha dentro da obra de
Wajda que são as adaptações de obras de autores poloneses. Crônica é
baseado no romance homônimo de T. Konvicki e fala sobre o despertar dos sentimentos
amorosos e da descoberta dos primeiros desejos e suas possibilidades por um grupo de
ginasianos.
Agnieszka Holland foi assistente de Wajda e começou a
carreira independente em 1975. A diretora tem preferencia por temas históricos e
verdadeira fascinação pelo Holocausto, ela é judia por parte de pai e perdeu quase toda
a família durante a guerra, sobre o tema fez um de seus mais celebres filmes; Filhos
da Guerra. Febre é baseado no romance A História da Bomba, de Andrzej
Strug que conta a atuação dos membros da organização de luta do Partido Socialista
Polonês, antes, durante e dois anos depois do colapso da revolução de 1905.
Na década de 90 o mais falado de todos os diretores
vindos da Polônia foi Kieslowski que em 1988 chamou a atenção no Festival de Cannes com
Não Matarás. O diretor morreu em 1996 e seus últimos trabalhos foram os filmes
da Trilogia das cores (1992/94) : A Liberdade é Azul, A Igualdade é
Branca e A Fraternidade é Vermelha. A trilogia foi a definitiva consagração
de Kieslowski como um dos grandes autores do cinema mundial. Amador (1979) é seu
segundo longa de ficção e mostra a mudança na vida de um operário feliz que compra uma
câmera para filmar o nascimento de sua filha e começa a perceber que pode registrar e
criticar a realidade que o cerca através de sua câmera. A experiência cinematográfica
lhe traz celebridade e muda sua vida.
Krzystof Zanussi começou a carreira na televisão na
direção de documentários e curta-metragens. No final dos anos 60 se estabeleceu como um
dos grandes diretores modernos de seu país e focalizou sua atenção para filmes com
temas políticos. Camuflagem (1976) é sobre a displicência de um professor
assistente que prejudica um concorrente de um concurso de pesquisas lingüisticas durante
um curso universitário de verão. A partir daí o caráter de todos na universidade será
posto `a prova.