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Agora que o escândalo Sexgate ameaça acabar com a carreira política de Bill Clinton, é uma boa hora para voltar no tempo e assistir a The War Room, um documentário de 1994 sobre a vitoriosa campanha preseidencial de Clinton em 1992. O filme foi dirigido pelo veteraníssimo D.A. Pennebaker e por sua esposa, Chris Hegedus. Pennebaker é um dos expoentes do "direct cinema", ou "cinema direto", uma escola americana de documentaristas criada por Richard Leacock e Robert Drew no fim dos anos 50 e que privilegiava um estilo hiperrealista de filmagem, sem interferência da câmera na realidade que estava sendo documentada. Para esses sujeitos, o importante era capturar o momento. O documentarista deveria ser um observador imparcial da realidade, ao contrário de outros cineastas que preferem ordenar seus documentários com roteiros e situações pré-armadas. Pennebaker dirigiu alguns clássicos do documentário de rock, como Dont Look Back (1967), sobre uma turnê inglesa de Bob Dylan, Monterey Pop (1968), sobre o famoso festival de rock, e Ziggy Stardust and the Spiders from Mars (1973), com David Bowie. Em The War Room, seu estilo continua inalterado: a sensação que se tem é a de que o filme foi gravado com câmeras escondidas, tamanha a naturalidade das situações e a espontaneidade dos personagens retratados. Os personagens principais do filme são James Carville, estrategista
político da campanha, e George Stephanopoulos, assessor de imprensa
da chapa Democrata. Pennebaker e Hegedus acompanham os dois por quase
um ano, começando na convenção Democrata e terminando no dia da posse.
Se a vitória de Clinton não teve muito de emocionante, já que ele obliterou
Bush nas urnas, os bastidores da campanha rendem muitas seqüências interessantes.
É engraçado ver a reação de Carville às primeiras reportagens sobre
os casos extramatrimoniais de Clinton, publicadas em tablóides sensacionalistas.
Fica evidente que o trabalho do "estrategista" muitas vezes
se resume a apagar incêndios e controlar a mídia. E para quem acha que
campanhas políticas são coordenadas por guerreiros experientes e infalíveis,
é curioso ver Carville e Stephanopoulos suando frio porque não conseguem
se dedicir pela cor de um cartaz de campanha. The War Room é
um ótimo filme que mostra, sem truques, o lado humano da máquina política. |
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