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Daniel Seidl

O cinema na tela do cinema. Assim é a seção "Filme Documento" da MostraRio 98. Os filmes que a compõem são documentários que mostram o processo de trabalho e os diferentes estilos de diretores consagrados: Billy Wilder, Lars von Trier, Ingmar Bergman, Ed Wood, David Lynch, Ken Loach e Man Ray.

Narrado por Walter Mattau, o documentário "Billy Wider: The Human Comedy" (EUA, 1988), de Mel Stuart, mostra cenas de alguns clássicos do diretor de "O Pecado Mora ao Lado", além de entrevistas com a esposa Audrey Wilder, o ator Jack Lemmon, Ron Shelton e outros nomes da Era de Ouro de Hollywood. Também de Mel Stuart, "Man Ray: Prophet of the Avant-garde" (EUA, 1998) traça o percurso artístico de Ray (nascido Emanuel Radnitsky) desde sua adolescência até os dias de glória em Paris. Narrado pela atriz Stockard Channing, o filme inclui também uma entrevista inédita com o próprio Man Ray.

Em "Tranceformer" (Suécia, 1997), Stig Björkman investiga o peculiar universo cinematográfico do dinamarquês Lars von Trier, que fala abertamente sobre seus medos, crenças e ideias. Não menos peculiar, para não dizer bizarra, é a obra daquele que é considerado o pior cinesta de todos os tempos, explorada em "The Haunted World of Edward D. Wood Jr." (Eua, 1996). Através de fotos e entrevistas com o elenco e outras pessoas ligadas aos projetos de Ed Wood, Brett Thompson procura explicar o homem e o mito que se criou em torno do diretor de "Glen or Glenda", morto no final dos anos 70, pobre e anônimo.

"Pretty as a Picture: The Art of David Lynch" (EUA, 1997) é uma espécie de combinação de biografia e diário de filmagem, onde Toby Keller flagra o momento criativo de Lynch. Em "Cinema of our Time: Citizen Ken Loach" (França, 1997), o diretor de "Uma Canção para Carla" conta que o estilo é somente uma maneira para se chegar a um objetivo e que o cinema é apenas um instrumento para se captar a vida.

Além dos filmes sobre cineastas, a seção traz outros três documentários. "The Dark Side of Hollywood" (EUA, 1997), de Odette Springer, mostra como funciona a indústria dos filmes B de Hollywood e desmente a ilusão do estrelato fácil na terra do cinema. "Hollywoodism" (Canadá, 1997), de Simcha Jacobovici, reconstitui a história de um pequeno grupo de judeus imigrantes que fundaram Hollywood, ajudando a construir a imagem da América por meio do cinema. Em "Cinema Address: Krasnogorsk" (Rússia, 1996) Galina Dolmatovskaya leva às telas muito do material do Krasnogorsk Government Cinema and Photo Archives, que abriga considerável quantidade de tudo que foi filmado neste século na Rússia e ex-União Soviética.

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