Estação Virtual

 

 


Daniel Seidl

Os problemas do mercado nacional de cinema estão longe de serem solucionados pela Lei do Audiovisual. Para Adriana Rattes, diretora de produção da Mostra Rio e uma das sócias do Grupo Estação, "falta no Brasil uma política mais efetiva de incentivo ao trinômio produção-distribuição-exibição". Com o objetivo de discutir que política é essa, e de que formas ela poderia ser alcançada, a Mostra Rio 98 promove um ciclo de debates no Espaço Unibanco, aberta ao público, nos dias 22, 24 e 25 de setembro, sempre às 11 horas.

"Os debates se propõem a levantar questões que hoje são dificuldades no mercado do cinema brasileiro e, a partir daí, tentar apresentar propostas para o seu futuro", explica Adriana, responsável pela organização do ciclo junto com Vera Zaveruscha e Beto Moreira. "A Lei do Audiovisual não consegue dar conta de tudo, e por isso o cinema precisa de outros recursos de estímulo", continua.

No início dos anos 80, os filmes nacionais chegavam a conquistar 35% dos espectadores no mercado de salas. Este número muito em parte se devia à atuação da Embrafilme nas áreas de produção e distribuição, ajudando a consolidar uma indústria cinematográfica brasileira. A extinção da Embrafilme pelo ex-presidente Fernando Collor foi um golpe fatal para essa indústria, que só recentemente começou a dar sinais de recuperação e hoje se esforça por manter-se estável. "O que nós pretendedemos é explorar as possibilidades de caminhos alternativos para o cinema, como a parceria com a televisão", diz Adriana, referindo-se ao tema do primeiro debate. "Nossa lista de debatedores era grande e muitos nomes importantes não poderão comparecer. Mas a preocupação maior era reunir pessoas dos três setores do mercado. Não adianta pôr só os produtores para falarem da situação do cinema no Brasil, se na mesa também não estiverem presentes distribuidores e exibidores", completa.

Para os interessados, a programação do ciclo de debates é a seguinte: na terça-feira, 22, "Parcerias com a Televisão", com Luís Carlos Barreto (produtor), Roberto Farias (produtor e diretor), Cláudio Mac Dowell (diretor), Ivan Izola (diretor da TV Cultura) e Wilson Cunha (diretor do Multishow e do Canal Brasil); na quinta-feira, 24, "Distribuição e Exibição", com Mariza Leão (produtora), Gustavo Dahl (diretor), Marcelo Mendes (Estação Botafogo), Rodrigo Saturnino Braga (Columbia), Jorge Peregrino (UIP), Marc Beauchamp (Lumière), Hugo Sorrentino (Art Filmes) e Luiz Severiano Ribeiro Neto; e na sexta-feira, 25, "Sistemas de Financiamento da Indústria do Audiovisual: França e Inglaterra", com Anne Devauchelle (selecionadora do Festival de Cannes e executiva do Centre Nacional de la Cinematographie), Martin Dowle (diretor geral do British Council no Brasil e ex-presidente da BBC) e José Carlos Avelar (presidente da RioFilme). Os dois primeiros debates serão mediados por Alberto Schatovsky e o último por Ilda Santiago, do Estação.

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