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Pretty as a Picture é um bom documentário sobre David Lynch, um
dos poucos cineastas americanos que ainda se digna a fazer cinema autoral. Rodado em
vídeo durante as filmagens do mais recente filme de Lynch, Lost Highway, o
documentário traz entrevistas com o diretor e com vários de seus colaboradores, e
consegue traçar um perfil abrangente - porém um pouco superficial - sobre Lynch.
As seqüências mais interessantes são as que mostram o cineasta em
pleno processo de criação: no set de filmagens, orientando atores como Robert Loggia e
Bill Pulmann, ou no estúdio de gravação, supervisionando a trilha sonora com o
compositor Angelo Badalamenti. Lynch é mostrado como um artista altamente intuitivo, que
acredita em improviso e experimentação. É também um trabalhador incansável e um
diretor que gosta de ter controle sobre todos os aspectos de seu filme. É curioso vê-lo
experimentando complexas técnicas de microfonagem - que incluem posicionar os microfones
dentro de tubos de bambu - para obter um som específico.
Algumas facetas pouco conhecidas da carreira de Lynch são mostradas,
como sua pintura e fotografias, que carregam o mesmo tom noir-erótico de muitos de
seus filmes. Ele aparece também curtindo um de seus hobbies prediletos, a carpintaria, e
trabalhando em seus quadros, misturas de pintura e colagem nos quais Lynch utiliza até
mesmo carcaças de animais.
As entrevistas com atores (Bill Pulmann, Patricia Arquette, Robert
Loggia, Dean Stockwell e Robert Blake) não fogem muito do tradicional tom elegiático de
documentários recentes. As seqüências mais reveladoras são mesmo as que mostram Lynch
trabalhando. Especialmente interessante é um trecho no qual o diretor e a equipe do
cultuado Eraserhead voltam à casa onde o filme foi rodado, e recordam histórias
curiosas sobre a filmagem (estas seqüências foram filmadas poucos meses antes da morte
de Jack Nance, ator principal de Eraserhead).
Pretty as a Picture peca, no entanto, por não buscar
a inspiração por trás da imaginação bizarra de David Lynch. O que o
levou a ser tão mórbido e - no bom sentido - tão "esquisito"?
É um diretor pouco convencional, que merecia uma cinebiografia um pouco
menos convencional. 
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"Pretty As A Picture"
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