Estação Virtual

 

 

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Alice Gomes

O diretor gaúcho Henrique de Freitas Lima queria, em seu primeiro longa-metragem, narrar um boa trama que mostrasse a cultura dos Pampas e um pouco de sua história. Ele acha que essa região sempre foi muito mal retratada e estereotipada e precisava de um tratamento mais pessoal. "Quando li o livro Lua de Outubro do escritor Uruguaio Mario Arregui me identifiquei e achei que esta era a boa estória que eu estava esperando", conta o cineasta, que logo adquiriu os direitos para filmar a obra de Arregui. Com um argumento a partir do livro, Henrique ganhou um concurso, da falecida Embrafilme, que o possibilitou contratar um roteirista.

Isto foi há quase treze anos quando Alfredo Sirkis ainda não era o político de hoje e sim um escritor que estava no Rio Grande do Sul para escrever um roteiro sobre Gregório Fortunato, o guarda costa de Getúlio Vargas, que seria filmado por Sérgio Resende, mas que nunca foi realizado. A produtora Mariangela Grando promoveu o encontro entre Sirkis e Henrique e desta reunião saiu o roteiro de Lua de Outubro, que acabou sendo o primeiro de Sirkis a chegar às telas de cinema.

O livro de Arregui é originalmente passado no Uruguai, e se divide em três contos. Sirkis adaptou a estória para o sul do Brasil, unificou as três tramas em uma única e contextualizou tudo na guerra civil Gaúcha de 1923 entre chimangos e maragatos, respectivamente federalistas e republicanos. "Foi uma adaptação bem livre, mas mesmo mudando a trama fui muito fiel às características das personagens e ao clima dos contos e da região", conta o roteirista.

O filme conta a estória do capitão republicano Pedro Arzábal que ao final da guerra ganha a posse de algumas terras nos pampas gaúcho e só quer descansar em paz, mas o chefe político da área, Dom Marcial lópez, não está disposto a repartir seus bens. Arzábal acaba se envolvendo apaixonadamente com a filha de Dom Marcial, uma jovem, bela e problemática, que acaba de sair do colégio interno.

Com o roteiro pronto uma série de problemas dificultaram o andamento da produção. Com o fim da Embrafilme e o buraco negro que se seguiu o filme só pôde prosseguir com a Lei do Áudiovisual e um prêmio de resgate do cinema brasileiro (do Ministério da Cultura) na categoria estreante.

Desde o início do projeto, Henrique tinha a idéia de fazer parceria com a Argentina. "Sempre achei que um caminho para o cinema brasileiro eram as co-produções, onde há um intercâmbio de talentos, equipe, capitais e partilha de mercado. E para começar é sempre bom um país que tenha alguma coisa em comum com a identidade do filme, a Argentina era perfeita neste caso. No momento estou muito satisfeito porque o filme já tem distribuidora na Argentina e no Uruguai e data de estréia prevista para Agosto."

Lua de Outubro já foi lançado no Rio Grande do Sul, no Paraná, em São Paulo, em Brasília, em Minas e está encerrando suas estréias nacionais no Rio esta sexta-feira, 8 de Abril. " A receptividade do filme pelos gaúchos foi muito boa, só lá tivemos um público de setenta mil pagantes. A demora em ser lançado no Rio foi devido ao fato de a exibição de filmes brasileiros na cidade estar limitada ao Circuito Estação. O que por um lado é ótimo porque é um espaço para a produção nacional e tem um público mais aberto, mas por outro é muito limitante e quando o filme não é um fenômeno como Central do Brasil tem que ficar na lista de espera," explica Henrique.

" Com a retomada do cinema nacional os brasileiros podem conhecer o Brasil que nunca viram. Isso é maravilhoso num país com as nossas proporções. Com o Lua de Outubro acredito estar mostrando para os cariocas, por exemplo, uma parte da história do Brasil que eles praticamente desconhecem," diz o diretor, otimista.

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Marcos Winter

 

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Beatriz rico

 

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Beatriz Rico e Isabel Ibias