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"A vida é feita de encontros, embora haja tanto desencontro pela
vida". Parafrasear o poetinha foi a primeira saída que me veio à cabeça quando
saí do cinema, ou melhor, da sessão-nostalgia da primeira visão de "Italiani"
na Mostra Rio de 97. Não se pode ver o filme, ou ao menos terminar de vê-lo sem
sentir-se um pouco italiano. Talvez um pouco "latino", já que eles são nossos
representantes oficiais na Europa. Na verdade, sem nos sentirmos humanos e,
conseqüentemente, dependentes deste imenso e indefinido trem chamado vida.
Sentir-se captado, emocionado e, até mesmo modificado pela história de
vidas de outras pessoas é uma capacidade exclusiva do cinema. E o cinema italiano, na
minha humilde opinião, pela proximidade com esta "sensibilidade esperançosa"
que todo brasileiro traz consigo, como que uma característica inata, certamente nos toca
de forma especial. "Italiani" coloca toda a Itália dentro de vagões, e sempre
existe aquele com o qual nos identificamos, talvez nos projetamos. A grande questão do
filme é que passados vinte anos, o trem é o mesmo. Como a vida. Os vagões italianos
continuam apertados e quase sempre malcheirosos. Mas também continuam levando a destinos
diferentes; e esses destinos são as únicas decisões que os passageiros podem tomar,
são as escolhas que fazem e, embora estejam no mesmo trem e no constante desafio de
fazê-lo mover-se, independente da direção que tome, são pessoas diferentes.
Assim como nós, que ao sermos absorvidos pela história destas
pessoas, movidas por frustrações, ambições, paixões, reafirmamos nossa
existência como humanos, ao sentarmo-nos em poltronas e em menos de
duas horas termos nossas vidas completamente influenciadas pelo simples
fato de estarem ali, naquele telão, retratadas por alguém que nem ao
menos nos conhece. E talvez estas horas sejam os únicos momentos em
que nos é possível admirá-las, como meros espectadores. Neste ponto,
o filme deixa de ser "Italiani" e passar a ser "Umani",
pois ampliar nossos pontos de vista e entender a necessidade e a responsabilidade
de nossas escolhas, mesmo as menores, nos permite entender como os "trilhos
do trem parecem ser de prata". E não só à noite

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