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O diretor alemão Edward Berger ficou sabendo da MostraRio através de
uma amiga brasileira, a cineasta Isabel Diegues. Ele se interessou pelo evento e pela
qualidade da programação. Segundo ele, os filmes reunidos para a mostra são bons e
difíceis de entrar em circuito comercial em qualquer lugar do mundo. Berger quis que seu
filme pudesse estar entre esta programação e resolveu mandar uma fita de "Gomez...
Heads or Tails" para a organização do evento. Ilda Santiago, diretora geral da
Mostra, diz que todo ano recebe cerca de sessenta filmes de diretores desconhecidos de
todo o mundo que gostariam de ter seus trabalhos exibidos no festival. Ela conta que estes
filmes são vistos e analisados pela equipe do Estação e que a grande maioria não tem
qualidade suficiente para entrar na programação: "Mas "Gomez..." agradou,
e Berger fez tudo que precisava para trazê-lo para o Rio, e veio em pessoa
apresentá-lo."
"GOMEZ..." conta a história de um adolescente que descobre o
amor, a amizade e a marginalidade na Berlim dos anos 90. Este é o primeiro longa-metragem
de Edward , que já tinha feito cinco curtas que foram exibidos em diversos festivais. Ele
escolheu este tema porque fazia parte do seu universo, queria poder colocar algumas
passagens autobiográficas junto a outras fictícias. "Queria falar de coisas reais e
contemporâneas, um contexto que de alguma maneira estou inserido, para depois poder falar
sobre qualquer assunto", conta. A inspiração para a trama principal veio de uma
notícia de jornal sobre um menino de 16 anos que estava assaltando entregadores de pizza
com um revólver de brinquedo e foi morto pela polícia. Para fazer sua estória, Berger
modificou este fato, criou um novo contexto e novas situações. Ele sabe que filmes sobre
jovens sem rumo têm sido muito recorrentes, mas não por falta de originalidade, e sim
porque esta é o nossa realidade. "Em qualquer lugar do mundo existem jovens cheios
de vida e sem nenhuma perspectiva para o futuro e isto é um problema da sociedade
moderna. E o cinema trata destas questões".
O filme é uma co-produção do governo e das TVs privadas da Alemanha a
da Suíça. Desde o começo dos anos 90, as TVs por assinatura têm patrocinado muitos
filmes na Europa. "Mas mesmo com este patrocínio é difícil fazer um filme quando
não se é famoso e algumas coisas precisam de criatividade e improvisação. Foi o caso
da trilha sonora, comprar os direitos de uma música é muito caro e eu chamei um grupo de
rock iniciante para compor músicas especialmente para o filme".
Berger acha que o filme conseguiu ficar muito próximo da
sua expectativa e agora está preparado para partir para um novo assunto
sem qualquer relação com sua vida particular. Já começou a esboçar um
argumento para seu filme seguinte que será sobre incesto..
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