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No debate "Distribuição e Exibição" da Premiere Brasil,
realizado quinta-feira, 24, no Espaço Unibanco, uma certeza foi consenso entre os oito
integrantes da mesa: o tripé produção-distribuição-exibição anda mal das pernas,
comprometendo o equilíbrio e a sustentação da câmera do cinema nacional. Mediados por
Alberto Schatovsky, os debatedores Gustavo Dahl, Ugo Sorrentino (Art Filmes), Mariza
Leão, Rodrigo Saturnino Braga (Columbia Pictures), Luiz Severiano Ribeiro Neto (Grupo
Severiano Ribeiro), Jorge Peregrino (UIP), Marc Beauchamp (Lumiere) e Marcelo Mendes
(Estação Botafogo) analisaram o tortuoso caminho percorrido pelo filme brasileiro desde
a sua finalização até sua entrada em circuito comercial.
"Eu me sinto uma espécie de dinossauro no campo da distribuição.
Eu tive uma experiência intensa há 20 anos na distribuidora da Embrafilme em uma época
rica e fecunda em que se teve a esperança de que o nosso cinema pudesse andar
sozinho", disse Gustavo Dahl, que abriu o debate. Para o produtor, o grande
obstáculo para uma industrialização efetiva da cinematografia brasileira é a
distribuição. "A questão toda começa aí. A Vera Cruz não conseguiu se manter
porque não tinha uma distribuidora", apontou, para depois reforçar: "Não
basta produzir filmes. O difícil é colocá-los no mercado".
A opinião foi compartilhada por Ugo Sorrentino, que ressaltou a
dificuldade em se obter recursos para levar o filme às telas: "Falta uma política
cinematográfica que seja capaz de definir o que é cinema para o governo. Precisa-se de
uma pesquisa para saber o que o público quer ver e que produto deve ser posto no mercado.
Se não há um caminho a ser trilhado fica tudo muito aleatório".
A produtora Mariza Leão avaliou a competição entre os lançamentos de
filmes nacionais e estrangeiros que, segundo ela, é injusta e desproporcional. "Nós
precisamos de algo que nos torne atraentes para a estrutura de distribuição já
existente. Isso só é possível através de recursos que nos permitam competir de igual
para igual com os lançamentos que são concorrentes naquele momento", observou.
Mariza sustentou a volta do adicional de renda como um meio de melhor subsidiar o cinema
brasileiro e disse que vai apresentar uma proposta, pela qual se cria uma espécie de
fundo para a distribuição nacional, na próxima reunião da comissão de cinema, em
Brasília.
O adicional de renda também foi defendido por Rodrigo Saturnino Braga,
que considerou a sua extinção como "um dos erros mais graves dos produtores
brasileiros". Rodrigo lembrou que o caminho das pedras da distribuição não é um
problema recente, embora antes fosse subestimado: "Uma vez eu participei de um debate
nos anos 70, e o Arnaldo Jabor, que estava sentado no canto da sala, levantou a mão e
disse que o problema do cinema no Brasil era a comercialização. Ele quase foi linchado
pois sempre se acreditou ser a produção o assunto fundamental".
A mudança no cenário exibidor foi saudada com entusiasmo por Luiz
Severiano Ribeiro Neto. Para ele, a construção de salas do tipo Multiplex é um fator
positivo para o cinema nacional, que passa a ganhar mais espaço potencial. "Tem que
se aproveitar o momento, que pode ser muito benéfico desde que se invista mais em
comercialização". Favorável ao discurso de Mariza, ele afirmou que o caminho para
a distribuição é inserir-se no modelo já existente: "Eu acho inviável dentro da
nossa realidade criar uma distribuidora só para filmes brasileiros".
Marcelo Mendes realçou a importância de o cinema ser amparado
pelo Governo: "Em todos os países onde o cinema é representativo,
ele é bastante auxiliado pelo Estado. O cinema francês é o mais subsidiado
que existe, desde a sua produção até a exibição, passando inclusive
pela distribuição".
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