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Por
onde andam os curtas que sempre iniciavam uma sessão de cinema? Nas décadas de 70 e 80 a
lei de exibição no Brasil determinava que cada longa-metragem apresentado devia ser
precedido de um curta nacional, e os produtores dos curtas tinham direito à dois por
cento da bilheteria. A lei podia agradar aos realizadores, mas não ao público que pagava
para ver um filme e era obrigado a assistir a um curta que não tinha nada a ver com o
filme escolhido e muitas vezes era de baixa qualidade. E agradava menos ainda aos
exibidores, que tinham que dividir seus lucros.
"Os exibidores nunca se conformaram com esta lei e
como eram eles quem escolhiam os curtas a serem exibidos alguns chegaram a produzi-los só
para ficar com os dois por cento. Foi aí que a qualidade ficou muito comprometida, quase
sempre estes filmes eram péssimos e o público ao invés de se aproximar da produção de
curtas se distanciou", conta Adriana Rattes , diretora do Estação Botafogo.
"No final dos anos 80 houve uma tentativa de melhorar esta lei e a Fundação do
Cinema Brasileiro ficou encarregada de programar criteriosamente os curtas para os
cinemas. A qualidade melhorou, mas o projeto foi definitivamente liqüidado pelo Governo
Collor", completa Adriana. A dita lei ainda existe, mas deixou de ser cumprida.
Com tudo isto a exibição de curtas-metragens ficou
confinada aos festivais , mostras e TVs a cabo ou públicas. Mas a produção de curtas no
Brasil não foi diretamente afetada com isto. Pelo contrário, se sofisticou, cresceu em
número e melhorou em qualidade. Para promover o curta nacional, um dos melhores do mundo,
o circuito Estação, que sempre se preocupou com o cinema alternativo e de qualidade, e o
CTAV, Centro Técnico Áudio Visual da Funarte, que ficou com a estrutura da Fundação do
Cinema Brasileiro, se uniram numa nova tentativa de unir público, cinema, curta e longa.
Durante os próximos três meses, todo filme que entrar em
cartaz no circuito Estação será precedido de um curta brasileiro. A programação está
a cargo do CTAV, que pretende apresentar um panorama dos melhores filmes produzidos em
diferentes épocas. O curta e o longa sempre terão alguma semelhança, seja temática,
estética ou temporal. "O curta é o veículo por excelência da experimentação, da
ousadia, da busca de novas idéias e também da iniciação de cineastas, atores e
roteiristas. Difundi-lo é sempre uma questão no meio cinematográfico e nós como um
circuito alternativo resolvemos experimentar à volta dos curtas à tela", diz
Adriana. Muitas vezes um curta produzido no Rio, por exemplo, não é visto pelos
cariocas, mas faz sucesso em festivais nacionais ou internacionais. Agora está sendo dada
uma nova oportunidade tanto aos realizadores quanto aos espectadores.
"Queremos que nosso público tenha acesso
ao curta-metragem e queremos saber, daqui a algum tempo, qual a opinião
destes espectadores sobre o que exibimos. Por enquanto é só uma experiência,
mas se tudo der certo será a volta da dupla aos cinemas e a popularização
do curta nacional", prevê Adriana.
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