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Daniel Seidl

Os cem anos do nascimento de um dos maiores cineastas de todos os tempos serão comemorados na Mostra Rio 98 com a seção "Centenário Eisenstein", que exibirá três documentários sobre o diretor russo: "Eisenstein: The Master's House" (Alemanha/Rússia, 1997), "Eisenstein: Mexican Fantasy" (Rússia, 1998) e "Eisenstein in Mexico: The Eternal Circle" (México, 1996).

Descrito pelo crítico Georges Sadoul como "um titã, um gênio do cinema, um homem da Renascença", Serguei Mikhailovitch Eisenstein tem sua vida e obra esmiuçadas em "The Master's House". Naum Klejman, Marianna Kireyewa e Alexander Iskin explicam o universo visual e criativo do cineasta em dez capítulos, cada um relacionado cronologicamente a uma época, desde o nascimento do diretor, na cidade de Riga, até sua morte em Moscou, em 1948.

Eisenstein fez seu primeiro filme, "A Greve", em 1924, tendo trabalhado antes como cenógrafo e diretor de teatro. No ano seguinte concebeu aquela que é considerada uma das mais importantes e influentes obras da cinematografia mundial: "O Encouraçado Potemkin. O filme é a mais importante demonstração prática da teoria eisensteiniana da montagem dialética, que consiste em sugerir significados simbólicos a partir da justaposição de planos.

Elemento essencial do trabalho do cineasta, o compromisso político e revolucionário vira enredo em "A Linha Geral", de 1929, uma espécie de panorama lírico da ideologia comunista. A obra sofreu supervisão direta de Stalin, que impôs algumas alterações e exigiu a mudança do título para "O Velho e o Novo". Insatisfeito, o diretor aceitou uma oferta da MGM e foi para Hollywood. Pouco depois, partiu em direção à América Central para realizar um de seus projetos mais ambiciosos, "Que Viva Mexico", sobre a civilização mexicana.

Os quatorze meses de sua permanência no país são o tema de "The Eternal Circle", no qual Alejandra Islas resgata o intinerário e as desventuras do cineasta. Desventuras porque após 60 quilômetros de película rodados, o escritor Upton Sinclair, que bancava o filme, cortou o financiamento. O material inacabado de "Que Viva Mexico" nunca foi entregue a Eisenstein, tendo sido mutilado pelo produtor Sol Lesser em alguns curta-metragens. O documentário "Mexican Fantasy" também trata desse período, tentando revelar o pensamento e as crenças do diretor a partir de seu contato com os diferentes aspectos da realidade e da cultura do México.

Quando voltou à União Soviética, Eisenstein foi obrigado a fazer uma autocrítica pública para poder continuar trabalhando. Em 1938, realizou o épico "Alexandre Nevsky", sob encomenda do governo e, seis anos depois, filmou a primeira parte de "Ivã, o Terrível". A segunda parte sofreu nova interdição de Stalin, que acusou o cineasta de trair a verdade histórica ao mostrar o herói nacional Ivã "frágil e indeciso como Hamlet". Vítima de um ataque cardíaco, Eisenstein morreu aos cinqüenta anos acreditando que "apenas migalhas" foram extraídas do cinema na primeira metade do século, e que um mundo ainda infinito se abria diante das telas naquele momento.

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Serguei Eisenstein






"The Master's House"






"The Eternal Circle"