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Enquanto boa parte do cinema que se faz por aí sofre de exasperante
falta de assunto, A ostra e o vento acumula camadas e mais camadas de significados,
idéias e sugestões. Enquanto nove entre dez realizadores jovens entoam o monótono
mantra do mercado e se dedicam obsessivamente a negar o cinema como expressão pessoal,
Walter Lima Jr. filma A ostra e o vento como se filma um poema e faz cinema de
autor. Entendeu? C-i-n-e-m-a-d-e-a-u-t-o-r .

Sob muitos aspectos, o papo de cinema de autor alimentou um treco
nefasto que é o fenômeno do cineasta como figura pop. Surge a griffe Tarantino, por
exemplo. Não importa se você gosta ou não do cara, não é isso que estou discutindo. O
que importa é: hoje o primeiro filme de qualquer pé-rapado, qualquer curta 16 mm de
estreante, vem pomposamente assinado "um filme de Fulano de Tal". Bobagem? Não.
Isso é sintomático de uma atitude vaidosa e vazia em relação ao cinema.

Então por que comemorar o aparecimento de um legítimo filme de autor?
Porque o que há de interessante na idéia de cinema autoral não tem nada a ver com
vaidade e autopromoção. Tem a ver com expressão sincera e criativa de um universo, seja
ele pessoal, social, étnico, histórico ou o que for.

A Mostra Rio abre, nesta quinta, dia 18 de setembro, com essa verdadeira
pérola (perdoe o trocadilho infame) do cinema que é A ostra e o vento, de Walter Lima
Jr. Um belo ponta-pé inicial. |