Como você entrou nesse projeto, iniciado pelo
Lacerda?
Foi em 1990, quando ele me chamou para escrever o roteiro em parceria.
Eu também já conhecia e gostava muito de Natal, porque minha família tem negócios por
lá. Me rendi à história, mergulhei nas pesquisas, livros, coletei informações com
pessoas que viveram naquela época.
Que histórias reais vocês preservaram no roteiro?
A história do alemão que pôs açúcar na gasolina dos aviões, por
exemplo. E as botas feitas pelo italiano, conhecidas na praça como Natal boots. Foi uma
pincelada de contos e personagens reais, adaptados para a ficção.
O tom de deboche é mais seu ou do Lacerda?
Acho que nós dois temos isso na nossa vida, o humor. No meu caso,
esteve sempre presente, ainda no teatro, em peças como Policarpo Quaresma. E o tom do
deboche mesmo, em cenas como aquela que faz paródia dos musicais americanos, foi o
Joaquim Assis quem trouxe.
Qual a maior qualidade do filme, se é que você consegue algum
distanciamento do produto final?
É a simplicidade da história. Acho que o gancho histórico poderia ter
tornado o filme mais acadêmico e menos humano, mas conseguimos dar o sentimento na dose
certa.
Foi uma surpresa a atuação elogiadíssima de Luis Carlos Tourinho?
Na verdade, convidamos antes o Diogo Villela para o papel, mas ele tinha
outros compromissos. Pensamos no Tourinho e o Diogo, sem saber, também indicou o seu nome
para fazer o Sandoval. Acabou dando tudo certo. |