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Luciana Hidalgo

Sobre For all, o trampolim da vitória, a atriz e diretora Norma Bengell resume: “Não é filme pra chato, é filme pra público.” A produção dirigida por Luiz Carlos Lacerda e Buza Ferraz estreou na última segunda-feira, na Première Brasil da MostraRio, no Espaço Unibanco de Cinema, provocando aplausos, elogios e risos, muitos risos. Se o tal “cinema para público” existe mesmo, a dupla de diretores acertou no alvo. For all é divertido, ágil e, segundo Cacá Diegues, “uma demonstração de maturidade do cinema brasileiro”.

For all tem tudo para trilhar o caminho do Pequeno dicionário amoroso de Sandra Werneck, quase um milagre de bilheteria no Brasil dos últimos tempos. E não é à toa. O filme é uma grande brincadeira dos roteiristas Joaquim Assis, Luiz Carlos Lacerda e Buza Ferraz. O trio deita e rola no choque cultural que surge quando os Estados Unidos constroem uma base militar em Natal. E isso durante a Segunda Guerra Mundial.

Não é difícil imaginar o que a influência da cultura americanóide pôde fazer com os tupiniquins daquele esquecido canto do planeta nos anos 40. Uma revolução. De costumes, moral, ética. Tudo com muito humor. Os americanos caem de pára-quedas naquele ponto cego do mapa, mas têm que se adaptar. E se adaptam. Um oficial se apaixona por uma morena local de nome Iracema, e as mocinhas do povoado sonham com os olhos azuis dos outros soldados. A certa altura, um dos nativos brasileiros não se conforma: “Quinze mil americanos invadiram nossas camas.”

Seria trágico não fosse tão cômico o tom de For all. As culturas americana e nordestina se encontram e se desencontram a cada take. Os habitantes tentam falar inglês e só fazem conta em dólar. Os americanos aprendem português, compram papagaios e freqüentam a zona atrás de prostitutas devidamente registradas e com as carteiras de saúde em dia.

É a síndrome do colonizado, enfocada de forma bem-humorada, com todos os clichês tropicais incluídos no pacote. Sobram lugares-comuns e diferenças entre o primeiro e terceiro mundos. Até “Oh, shit!” vira “Oh, xente”. O elenco tem nomes como José Wilker, Betty Faria, Claudio Mamberti, Paulo Gorgulho, todos muito bem. Mas quem brilha é o ator Luis Carlos Tourinho e seu carisma ao encarnar o personagem Sandoval. É o típico brasileiro, semi-analfabeto, que entra na base aérea como faxineiro, é protegido por um major americano e sonha com uma cantora de Hollywood. É dele uma das cenas mais debochadas: Sandoval é promovido e uma turma de homens musculosos de repente faz uma cena típica de musical americano, das mais piegas, no banheiro masculino da base. Ao final do filme, resta aquela impressão de que, diante da miséria, o que salva é o humor. Uma sensação que de tão familiar (no Brasil) soa incômoda, mas não deixa de ser a maior diversão.