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Jojo la frite

 

 


Des Majorettes dans l'espace



 

 

 

 

 

 

 

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Luciana Hidalgo

Aos cinéfilos chegados a histórias breves, a dica é: não percam a seleção de curtas franceses da MostraRio. Um painel das mais recentes - e premiadas - produções da categoria mostra como se conta um conto com concisão e encanto. Entre os curtas de animação, Du zero des arenes (1997), de Isabelle Faivre, merece atenção: dois pontos pretos se unem na tela branca e daí surgem encontros, danças, movimentos, em desenhos belíssimos. Uma graça. Paroles em l’air (1996), de Sylvain Vincedeau, também tem seu charme ao retratar um rapaz feliz da vida, que resolve acabar com a tristeza da vizinha em frente, enviando-lhe uma mensagem num avião de papel. São curtas lúdicos em traços irretocáveis.

Menos naïf é Jojo la frite (1996), de Nicolas Cuche, que enfoca a saga de dois ladrões metidos numa encrenca. Um deles faz uma boa ação sem querer e surge uma auréola luminosa sobre sua cabeça. Pior, ele não consegue mais fazer uma só maldade. O companheiro não se conforma e faz de tudo para ele voltar à fama de mau. O homem coloca um saco de papel na cabeça para esconder o símbolo da santidade, e blasfema, revolta-se contra o poder conferido. A idéia é ótima, engraçada e muito bem filmada.

Na categoria estranhos, atenção para Gorille mon ami (1996), de Emmanuel Malherbe. É sobre um marido cansado da frigidez da mulher, que bola um plano de vingança pra lá de cruel. Durante um inocente passeio ao Jardim Zoológico, dá um jeito de colocar a senhora bem perto de um gorila mui amigo. Ela surpreende. E mais: La mort du chanteur de Mexico (1996), de Laurent Firode, traz um pouco de suspense e risos, ao embolar vários personagens na morte de um cantor de rua. O bom do curta é ver como eles contam uma história tão simples. Outro bom roteiro é Des majorettes dans l’espace (1996), de David Fourier, passando por assuntos diversos como amor, sexo, espaço sideral e homossexualismo, com desenhos, imagens e muita inteligência. E, para o público gay, um curta cult: Une robe d’ètè (1996), de François Ozon, o mais premiado em festivais pelo mundo.