|
Conversa, filosofia
e cafezinho
A partir desta idéia,
o Verão Odeon BR traz, quinzenalmente, o Café Filô: um
ponto-de-encontro sem o rigor formal das discussões acadêmicas para um
bate-papo sobre assuntos importantes do nosso cotidiano. As organizadoras
do evento, a roteirista Melanie Dimantas e a editora e livreira Ana Paula
Martins convidaram filósofos, sociólogos e artistas para tomar um café
e conversar com o público sobre diferentes temas, no segundo andar do
Odeon Br. A primeira edição do
Café Filô aconteceu na quinta-feira, dia 30, a partir das 20h. Mesas,
cadeiras, sofás, pufes e uma iluminação mais suave deram o tom
intimista do evento. Os convidados deste
primeiro encontro foram: DJ Marlboro; Adair Rocha, do Departamento de Teologia da
PUC-Rio; Écio do
Afroreggae, Henrique Antoun, Doutor em Comunicação pela UFRJ; e Carmen
Luz, da Companhia Étnica.
O tema foi Centro das Intenções: A Praça. E nada melhor
do que a vista para a Cinelândia, uma das praças mais importantes da
cidade, para filosofar sobre o assunto. No debate, se falou
sobre a praça como espaço público, lugar de aglomeração, espaço de
circulação de informações. Como Brasília virou a praça do Brasil
quando Luís Inácio Lula da Silva tomou posse. As noções positivas da
praça também contrastaram com idéias negativas: “A praça era onde os
soberanos tornavam visíveis os seus poderes, a partir dos castigos, das
execuções públicas que aconteciam nas praças”, contou Henrique Antoun. Um dos caminhos que o
debate seguiu foi a questão das comunidades carentes, das favelas e o que
a praça representa para eles. O DJ Malboro falou sobre a praça do funk,
as perseguições que o movimento é vítima e que os funkeiros são
sempre relacionados à coisas negativas. “O funk não é o culpado pelas
diferenças sociais. Quanto às letras, as pessoas não deveriam ficar
chocadas com elas, e sim com a realidade de quem vive em uma favela.” Carmem Luz, que
trabalha em comunidades carentes, defendeu o funk lembrando as
oportunidades de trabalho que os bailes abriram nas favelas. Sobre as polêmicas
letras, de temas sexuais, drogas e violência, ela afirmou: “Lá, as
pessoas encaram o funk como entretenimento. Eles não querem isso dentro
de suas casas”. Écio do Afroreggae
citou o fim da praça como lugar de encontro, por medo da violência. Ele
falou de sua experiência com o Conexões Urbanas, que leva eventos
grandes para dentro das favelas e comunidades consideradas perigosas e da
importância da praça para esses moradores. A noção de asfalto versus
favela foi tratada por Adair Rocha que recentemente publicou Cidade
cerzida: a costura da cidadania no Morro Santa Marta. A conversa descontraída,
que durou mais de duas horas, contou com a participação do público que
fez comentários e perguntas para os participantes. A segunda edição do
Café Filô vai acontecer no dia 13/02 com o tema: Tempo roubado:
tecnologia, tempo e espaço. A entrada é franca e senhas são
distribuídas antes do início do debate. Café Filô: um espaço onde
mexer o café com a colherinha é um convite à reflexão. (Dominique Valansi) |