|
Bossa e Balanço com Marcos Valle Ele é um cantor e compositor reconhecido no Brasil e no mundo todo, pianista, surfista, criador de uma infinidade de jingles, temas de novelas e programas infantis; e já foi parceiro de grandes nomes da música brasileira e americana. Sobre Marcos Valle, convidado da segunda edição do Bossa e Balanço pode-se dizer que ele joga nas onze. Para mostrar um pouco de sua obra tão diversificada e conceituada, os anfitriões: o DJ Jorge Luiz, o músico Dé Palmeira, e o jornalista Hugo Sukman selecionaram uma série de cds e vinis raros e clássicos. A música escolhida para abrir a noite foi "Tema da Vitória" ou "Azymuth", tocada pela banda Azymuth, para o filme "O Fabuloso Fittipaldi" de 1973. Marcos Valle contou como começou sua ligação com o sensacional trio, formado por Alex Malheiros (baixo), Roberto Bertrami (teclados), e Ivan Mamão Conti (bateria e percussão). Marcos foi um dos primeiros compositores a receber encomendas para trilhas sonoras de novelas. Seu primeiro trabalho então foi para "Véu de Noiva" (Rede Globo, 1969), da qual Nelson Motta era diretor musical. Ele convidou o trio de músicos para gravar uma faixa intitulada "Azimuth" e eles decidiram utilizar o nome para batizar a banda. Esta mesma música acabou entrando também para a trilha do filme O Fabuloso Fittipaldi, dirigido por Hector Babenco. Marcos produziu outras trilhas para novelas como "Pigmaleão 70" (também executada no encontro), "O Cafona" e "Selva de Pedra". Sua última incursão nas telas foi em "Samba de Verão", na voz de Caetano Veloso, incluída na trilha de "Laços de Família". Sobre sua carreira musical, ele contou que sua avó queria que ele fosse concertista, motivo pelo qual ele estudou durante muitos anos piano clássico. De seu reencontro casual com Edu Lobo, com quem tinha estudado no Colégio Santo Inácio, surgiu uma parceria duradoura. "Foi através do Edu Lobo e do Dori Caymmi que eu conheci grandes nomes da música brasileira. Inclusive foram eles que me levaram na casa de Ary Barroso, que já estava velhinho", conta. Outro grupo que gravou músicas do compositor foi o Tamba Trio, que tocou a segunda música da noite "Sonho de Maria", do disco "Avanço" de 1963. O jornalista Hugo Sukman até lembrou que na primeira edição do Bossa e Balanço, a primeira coisa que a convidada, a cantora Joyce, quis ouvir, foi uma música da banda. Para Marcos Valle, tanto o Tamba Trio quanto o Azymuth e Os Cariocas, "são grupos fantásticos, até meio mágicos". O DJ Jorge Luiz fez uma surpresa para o convidado: "Ficou difícil de escolher as versões para trazer de músicas suas porque muita gente te gravou. Então eu trouxe uma que foi gravada por uma artista que foi uma das suas influências...". Som na caixa: a música era "Samba de Verão", na voz de Cauby Peixoto, gravada em 1965. Falou-se sobre a rixa entre MPB e a Jovem Guarda na época em que a música brasileira era forte em programas de televisão como "Esta noite se improvisa". Marcos Valle falou que andava muito bem nos dois grupos e que inclusive era muito amigo de Erasmo Carlos, que namorou sua irmã. Ele ironiza: "Ela namorou vários do meio artístico e podia tanto ser da MPB quanto da Jovem Guarda. Ela nega, mas eu sei que ela namorou também o Jerry Adriani". "Bem, então era ela que não tinha preconceito", completou Dé. Depois foi a vez do groove "Bicicleta", que foi um hit durante um ano nas academias de ginástica de todo o país. Sukman contou que tinha preconceito com a música, que não gostava até ouvir, anos depois, a segunda parte: "O Marcos Valle é o rei da segunda parte!", afirmou. O hit é da época em que Marcos tocava com vários músicos da black music americana. Chegando nos anos 90 e 2000, Marcos Valle mostrou "Conexão", do Planet Hemp, toda cantada sobre uma base dele, e a versão original de "Capitão de Indústria", gravada posteriormente no disco "Nove Luas" dos Paralamas do Sucesso. Ele também tocou "On-line" uma das músicas de seu disco novo lançado recentemente pela gravadora Trama. Outros hits da noite foram: "Os Grilos" (sucesso nas modernas pistas londrinas), "Viola Enluarada", "Sonho de Lugar", "Mustang Cor de Sangue" cantada por Wilson Simonal (Marcos agora trabalha com o filho dele, Max de Castro), "A Resposta" na voz de Marcos Valle, "Terra de Ninguém" e o inesquecível tema de Vila Sésamo, muito aplaudido pela platéia. "A música infantil antigamente tinha uma mensagem mais legal. A gente conversava com médicos e pediatras. Não era uma música só para dançar. Eu queria que as crianças ouvissem músicas com harmonias legais", conta.
Fechando a noite, um samba meio japonês. A faixa "Moshi Moshi" foi uma homenagem que Marcos Valle fez aos japoneses que tanto curtem a música brasileira, e principalmente o cantor, que se despediu com um sonoro "Sayonara" (até logo em japonês). A próxima edição do Bossa e Balanço será no dia 13 de março com Charles Gavin. O evento começa a partir das 20h e tem entrada franca, com distribuição de senha meia hora antes. (Dominique Valansi)
|