A bossa-nova tomou conta do segundo andar do Café Odeon BR e o transformou em uma aconchegante sala de visitas na quinta-feira, dia 06 de fevereiro. O DJ Jorge Luiz e o jornalista Hugo Sukman foram os mestres de cerimônia de uma noite de muitas histórias, clássicos, e raridades da música brasileira.

O Bossa e Balanço não é propriamente um programa de entrevistas, mas um cantinho de sala feito especialmente para ouvir música, descobrir novos acordes antes despercebidos, beber juntos e lembrar do porquê do título de uma música, da influência de uma em outra, do nascimento de um movimento, de uma piada, uma coincidência que deu em música... enfim, um descontraído e animado bate-papo sobre a música brasileira.

A primeira convidada do evento foi a cantora e compositora Joyce, que conversou com o público, trocou idéias, narrou episódios curiosos e aproveitou para mostrar e ouvir vinis e cds com o melhor da nossa música. O espaço ficou pequeno para o encontro, que reuniu pessoas de todas as idades.

Como não poderia deixar de ser, João Gilberto tocou na vitrola sem parar, em clássicos como "Esse seu olhar", além de versões de "Desafinado" do Tamba Trio e Sexteto Jazz Moderno. Falando sobre o livro escrito por Joyce "Fotografei você com a minha Rolleyflex", o DJ Jorge Luiz perguntou se ela realmente tinha medo de João Gilberto. Sem hesitar, a cantora respondeu: "Tinha, não. Tenho. Mas o que eu digo é que ele é uma pessoa hipnótica, então eu prefiro gostar dele de longe. Ele hipnotiza"

Também se falou muito sobre outro mestre: o maestro Tom Jobim. Para Joyce: "A música de Tom é rica, interessante. Mas, acho que tocou muito no mundo todo. Então ainda vai demorar um pouco para as pessoas descansarem e redescobrirem o Tom", afirmou. Sobre a importância de uma identidade musical nacional, a cantora contou que uma vez fez um show na África e lá eles ligavam esta identidade musical brasileira ao Tom, dizendo que, o que eles precisavam, era ter um Tom Jobim por lá.

E para a alegria dos presentes, gravações da própria Joyce foram mostradas como "Copacabana Velha de Guerra", na voz de Elis Regina. As gravações na voz da própria Joyce foram "Feminina", muito aplaudido pelo público, "Please, Garçon" e "Tiro ao Alvo". Ela também falou sobre seus sucessos que fizeram parte de filmes como "Tema para Jobim", da trilha sonora de O Jogador de Robert Altman. Outro filme foi a comédia pop Legalmente Loira, onde a parte de uma de suas músicas foi usada por um grupo de hip hop que a misturou com uma outra música do Sting, "Magic". Com tantas misturas sonoras, ela conta: "Eu só reconheci a minha música pelo cheque que recebi pelos direitos".

Um dos destaques da noite foi o vinil de um show chamado "Samba Pede Passagem" que Joyce levou especialmente ao evento, gravado a partir de uma apresentação de Aracy de Almeida, MPB 4, Ismael Silva e Sidney Miller, do Grupo Mensagem. Foi uma rara oportunidade de se ouvir o cantor Ismael Silva ao vivo, que cantava um pot-pourri com seus maiores sucessos chamados: "Vem chegando Ismael". A platéia cantou junto e aplaudiu no final.

Além de clássicos, a noite também apresentou novidades com sonoridades antigas, como "O Futuro Pertence À Jovem Vanguarda", de Max de Castro, filho de Wilson Simonal. Segundo Hugo Sukman, "apesar de novo, isso é um som antigo".

A noite foi encerrada ao som do polêmico Wilson Simonal. E como disse Joyce: "Foi divertido a beça. Espero que vocês tenham se divertido tanto quanto a gente".A próxima edição do Bossa e Balanço será no dia 20 de fevereiro com Marcos Valle. O evento começa a partir das 20h e tem entrada franca, com distribuição de senha meia hora antes.

(Dominique Valansi)